quinta-feira, 24 de novembro de 2016

De que é feito um festival?

De uma ideia. Essa ideia cresce e vira um sonho. Primeiro sonhado por uma pessoa, depois sonhado por várias. 

Esse sonho vai crescendo e tomando forma. Vai virando música, coreografia, cenário, figurino. Primeiro na cabeça, depois no papel. Depois o sonho se transforma através de corpos que dançam. A primeira vez, desajeitados. Depois em sintonia consigo e com outros corpos que também dançam. E nessa metamorfose vão entrando ingredientes fundamentais: esforço, dedicação e disciplina. Também um pouco de sacrifício, pelas horas de lazer trocadas por horas de ensaio (mas aqueles corpos encontram lazer e prazer nas horas dançadas). 

E assim, dia após dia, repetição após repetição, a história sonhada vai tomando forma e criando vida. A personalidade dos personagens vai aparecendo em cada bailarina. O festival vai se tornando real em meio a amizades novas e antigas, em meio a risadas, em meio a lanches compartilhados. 

A ansiedade pela chegada dos figurinos toma conta: faltam poucos dias! O encantamento nos olhos de cada uma encanta também quem acompanha os bastidores. Novatas e veteranas, já não há diferença, são todas parte de uma só família.

Chega o tão esperado dia da estreia. Ansiedade? No último nível. Felicidade também! Nos bastidores, uma energia fantástica. Mãos que se ajudam e fazem o todo funcionar. É uma dica pra melhorar o coque, um grampo emprestado, uma mão que sobe o zíper, uma linha e agulha que salvam um figurino de última hora....

Apagam-se as luzes, abrem-se as cortinas e a mágica acontece! Corpos que dançam e encantam contam uma história. Naquele palco desafios estão sendo superados. Dor não existe, timidez também não. Ali elas estão inteiras, em completa entrega, estão fazendo o seu melhor. Não importa se têm 3 anos ou 20 anos, não importa se é a primeira ou a décima vez que sobem ao palco, a emoção é a energia que as move. E essa emoção transcende o palco e contagia a plateia. 

Ao fim, as cortinas se fecham ao som dos aplausos. A sensação de objetivo alcançado toma conta de todas. O sorriso ilumina os rostos. Mas é hora de recolher os figurinos e voltar pra casa. Carregam doces lembranças e um enorme aprendizado pra vida. Mas carregam também um pesar no peito... é a dor da despedida.... Aqueles personagens agora são passado e só estão vivos nas lembranças. É hora de elaborarem o "luto" por eles para depois aguardarem ansiosas os desafios do ano seguinte! E então viverem tudo outra vez!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A retirada da chupeta da Alice

Alice não queria saber de deixar a chupeta. Propus troca por brinquedo, falava que ela já era moça mas nada surtia efeito. Ela era super apegada à chupeta e isso estava me preocupando por conta dos efeitos na oclusão dela. Não me arrependo de ter dado, a chupeta me ajudou muito, mas já estava na hora de tirar.

Alice tinha uma mania de morder a chupeta. Mordia até rasgar e eu sempre comprava outras. Até que chegou um dia em que avisei que não tinha mais chupeta na loja e que se ela mordesse e estragasse, ficaria sem.

No dia 06/10, olhei a chupeta e ela havia mordido tanto que estava rasgada, quase soltando o pedaço. Eu então aproveitei! Depois do banho da noite, já na hora de dormir, mostrei pra ela a chupeta rasgada. Perguntei se ainda prestava pra alguma coisa e ela disse que não. Entreguei na mão dela e disse que ela jogasse no lixo.

Alice então baixou a cabeça e foi toda dramática jogar no lixo. Jogou e voltou para dormir. Claro que pediu a chupeta e eu devolvi a pergunta: "o que aconteceu com a sua chupeta?". Ela respondeu e se conformou.

A primeira noite foi tranquila. Na primeira semana tivemos algumas noites agitadas. Mas ela agora está dormindo bem. O maior efeito colateral foi a soneca depois do almoço. Já estava difícil com a chupeta, algumas vezes ela pulava a soneca e ficava enjoada no final da tarde. Sem a chupeta, então, está praticamente impossível. Ela não dorme e chega ao fim da tarde super enjoada. E muitas vezes dorme no carro, no trajeto pra dança ou pra natação. Um terror! 

Mas, mesmo assim, estamos no lucro. Nenhum grande escândalo pela retirada da chupeta. Nada de dedo na boca. Ela até conseguiu dormir na escola, longe de mim, na noite do pijama, apenas 1 semana depois de ter deixado a chupeta. Em relação à soneca, uma hora dela iria mesmo deixar de ocorrer. Alice só precisa aprender a aguentar até a hora do soninho da noite. E cada vez mais eu vejo que não tenho mais bebê em casa.... me deu até saudade do cheirinho de recém nascido....
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A primeira noite fora de casa: noite do pijama na escola!

Alice passou sua primeira noite fora de casa. Aos 3 anos e 3 meses, participou da Noite do Pijama na escola. 

Quando eu recebi a circular informando que haveria noite do pijama, fiquei super feliz. Embora as meninas sejam muito apegadas comigo e eu com elas, gosto que elas sejam seguras e tenham autonomia e acho essa uma excelente oportunidade para trabalhar essas duas coisas. Comecei então a trabalhar a cabecinha da Alice pra isso, contando que ela ía pra escola à noite, ía brincar com os amiguinhos e ía dormir lá com eles.

Eu não tinha muita expectativa de que ela fosse dormir lá. Alice não dorme fácil, é mais grudada comigo que a Julia e fazia uma semana que tinha tirado a chupeta (não foi planejado, mas não podia perder a oportunidade). Com muita frequência ela adormece embalada no meu colo, na cadeira de balanço e na escola teria que deitar e dormir no seu colchãozinho. Mesmo sem muita expectativa, segui em frente com o plano de levá-la para a noite do pijama porque achei que a tentativa era válida e ela ía se divertir com as brincadeiras antes da hora de dormir.

Para minha surpresa, no dia da Noite do Pijama, ela estava super animada, só falava nisso. Arrumei a mochila dela e fomos para a escola. No caminho ela me perguntou se estávamos indo para a escola mesmo e começou a inventar uma música sobre a Noite do Pijama (só lamento não ter conseguido gravar). Chegou toda animada, numa excitação impressionante. Corria, abraçava os amigos, subia nos brinquedos do parquinho, fazia pose pra foto.... Na hora em que fui embora (fiquei até o último minuto possível, observando a alegria dela), ela nem me deu bola.... 

Saí de lá e fui aproveitar a noite com o Claudio (a Julia foi pra festa do pijama também, na casa da amiga - beijo, Naiana!). Celular o tempo todo na mão, imaginando que ía receber uma ligação da escola pra ir buscá-la.

Mas, pra minha surpresa, nada de ligação! Ela brincou muito e dormiu a noite toda. Acordou de manhã choramingando, mas logo parou (ela faz isso em casa, todos os dias). Quando fui pegá-la, não contive as lágrimas: era um misto de saudade e orgulho da minha pequena já tão independente. Ela amou a experiência, me contou toda animada o que fez por lá. Soube também pelas professoras que ela curtiu muito: dançou, desfilou e até se meteu nas atividades de crianças maiores! 

Agora, uma semana depois, ela ainda conta toda feliz o que fez lá e me pede quase todos os dias pra ir para outra festa do pijama na escola. Ponto para a autonomia e independência! E ponto para o nosso grude e o colo que ela tem sempre que quer. Ao contrário de tornar a Alice uma criança manhosa, fez dela uma criança segurança!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"Chatos!"

"Mamãe, sabe quanto é meninos + meninos? Chatos! Todos os meninos são chatos!"

Essa é a conclusão da Julia, do alto de seus 8 anos.....  Estou registrando aqui porque dou 4 anos (ou menos) pra ela mudar de opinião.

Não, não quero que ela comece a namorar com 12 anos de idade (ou menos). Mas, como dizia Luiz Gonzaga, "toda menina que enjoa da boneca é sinal de que o amor já chegou ao coração."

Ano passado ela teve um" paquerinha". Na verdade, um amiguinho de sala que também tinha um afeto por ela (Pedro Henrique, um fofo que tem uma mãe nota 10). Eles começaram a andar muito juntos e ele ligou algumas vezes aqui pra casa convidando a Julia pra brincar na casa dele (ela nunca foi). Claudio quase morre de ciúmes mas eu levei com naturalidade. Num passeio da escola, os dois foram juntos, de mãos dadas. Como não valorizei e nem proibi, a paquera acabou naturalmente e ela voltou pra esse estágio de detestar meninos,  que me faz rir pra caramba! 






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Com (pouco) açúcar, com (muito) afeto

Com pouco açúcar e com muito afeto, procuro fazer o lanche da Julia da escola (Alice tem o lanche da própria escola, não preciso mandar). Não, nem sempre é possível e muitas vezes Julia leva biscoito de leite industrializado. Mas, sempre que dá, eu faço. 

Bolos variados (sem cobertura) e biscoitos doces e salgados estão na lista. As vezes mando maçã (a única fruta que ela come, ó ceus!). Mando também pêta com iogurte. Tem dias que ela leva castanha de caju e queijo coalho..... Já não compro mais biscoito recheado e achocolatado não entra na lancheira. Salgadinhos industrializados nunca foram opção (não que elas não gostem, mas eu não compro). Como as meninas aqui não são fãs de suco, nem mando. A bebida é água mesmo... quer melhor?

Com a Julia, o desafio à criatividade é grande. Ela tem um paladar muito restrito, muito parecida comigo na idade dela. Sanduíche só come uma vez perdida e se for somente de queijo. E depende do pão. Pão de forma nem pensar. Patê, manteiga e requeijão estão fora da lista dela. Determinadas texturas ela não suporta. Nada com molho ela tolera. Mesmo bolo de chocolate com cobertura de chocolate, com muita frequência, ela deixa boa parte da cobertura (eu fico sempre de olho porque eu amo e passo pra dentro). Até bolo de cenoura ela me pede sem cobertura....

E por que eu tenho o cuidado de fazer bolo e biscoito se é muito mais prático comprar? Porque estamos procurando comer comida de verdade em casa. Estamos procurando reduzir os industrializados, nada radical demais, apenas cortando os excessos. Já ajuda. Mesmo o biscoito caseiro tendo açúcar, a quantidade é bem menor que no industrializado, além de não ter corantes e conservantes. E não, eu não acredito piamente nos rótulos que dizem o contrário. 

Além disso, fazer o lanche é uma forma de carinho. Elas ficam super felizes quando sabem que eu fiz. Adoram me ajudar também (atrapalham mais que ajudam, mas é uma farra). E quando a receita tem história então?

Ontem mesmo teve bolo com história. Carregado de lembranças (para mim) e de referências (para elas). Peguei o caderno de receitas da mamãe e fiz a receita intitulada BOLO MOLE (MAMÃE). 

Era a receita da minha avó Carminha, bisavó das meninas. Elas não a conheceram pessoalmente, mas tiveram a oportunidade de  ouvir falar um pouquinho dela. E puderam se deliciar com o carinho em forma de receita que ela deixou para minha mãe, que passou para mim.

O bolo ficou uma delícia! Não durou 24 horas! Como postei fotos no facebook, muita gente me pediu a receita. Segue então, com o nome modificado por mim:

BOLO MOLE DA BIVÓ CARMINHA

4 ovos
3 xícaras de açúcar
1 colher de sopa de manteiga
2 copos de leite
1 pires de queijo ralado ou côco (fiz com queijo coalho)
8 colheres de sopa de farinha de trigo

Bate-se tudo no liquidificar e leva-se ao forno pré aquecido em forma untada e enfarinhada.

Com certeza essa receita será repetida muitas vezes! Na próxima vou fazer com queijo e côco.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Cocô na calcinha

Outro dia, já habituada à falta de privacidade no banheiro que impera na minha vida, fui fazer xixi no banheiro das meninas, Com platéia, óbvio. 

Acontece que eu estava menstruada, coisa rara de acontecer por conta do Mirena (melhor coisa que inventaram!). E, como é raro, Alice nunca tinha visto. Ou pelo menos não lembrava....

Mas, bastou que eu baixasse a calcinha que os olhinhos observadores notaram algo marrom (era só uma borrinha no absorvente). Ela então apontou para minha calcinha e soltou:

- Mamãeeee você fez COCÔ na calcinhaaaa!!!!!!!!!!!!!!!

Bem alto, enfatizando bem as sílabas, me acusando mesmo!

E aí, como explicar pra uma criança de 3 anos o que é menstruação? Tentei, mas acho que ela continua achando que fiz nas calças....
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"Que merda, Manuella!"

Alice brincando com as amiguinhas depois da dança. Eu, perto dela, conversando com outras mães e observando a brincadeira das crianças. 

De repente, entram numa disputa por brinquedos e aquela voz tão doce, do alto dos seus 3 anos de idade, solta:

- Que merda, Manuella! 

Buraco pra me enterrar? Tinha não..... Todo mundo ouviu....  Fazer o quê? Claro que nessa idade, se ela disse isso, ela aprendeu em casa. E sim, a culpa, foi da mãe. Euzinha mesmo que tenho a boca suja! Que vez por outra solto "merda" na frente das meninas. Não me orgulho nem um pouco, mas é um hábito tão antigo que nem sei como controlar.   

Nesse momento, as mães perfeitas aqui, devem estar dizendo: "ah, mas você tem que mudar, você tem que dar o exemplo."

Que eu tenho que dar o exemplo eu sei. Mas na hora do saco cheio, soltar um sonoro " merda" ajuda a aliviar a tensão. Minha mãe não dizia um palavrão, achava horrível e me repreendida toda vida que eu falava um, não adiantou nada. Julia desde pequena escuta, mas não tem costume de falar (pelo menos não na minha frente). Sei que isso não é justificativa, por isso mesmo vou tentar aliviar minha boca...  

Mas prometer que não digo mais palavrão na frente delas, não prometo! Não sou perfeita e nem pretendo ser...  E também acho que vez por outras elas têm que soltar um "merda"  pela vida sim! 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...