sábado, 27 de janeiro de 2018

Sobre filas e privilégios

Nessas férias, aproveitei o tempo livre e levei as meninas para tirar a segunda via do RG delas. As fotos do RG que usavam estavam irreconhecíveis pois eram muito pequenas quando tiraram a primeira via e eu queria aproveitar e incluir os números dos CPF's delas.

Fomos um dia à tarde, no posto mais próximo de casa, na Assembléia Legislativa. Levamos a tarde inteira para resolver isso (chegamos lá um pouco antes de 1 da tarde e saímos faltando 5 minutos para 5 da tarde)... E é porque eu estava com todos os documentos solicitados e as fotos dentro do padrão exigido. Metade desse tempo, esperamos num saguão do prédio anexo da Assembléia. Prédio moderno, bonito, com piso de granito e um saguão enorme. Entretanto, não havia uma cadeira pra sentar e nem água para beber. Vi, junto com a gente, idosos e gestantes sentados no chão, no calor. As meninas, obviamente, reclamaram, principalmente a Alice, e foi difícil segurar as pontas na fila. Fiquei indignada, afinal, aquela é a casa do povo e o povo estava sendo super maltratado! Duvido que algum deputado se dignasse a pegar aquela fila! Para eles todo o conforto que aquele prédio pode oferecer e para o povo apenas o desconforto e o desrespeito....

Depois entramos para uma sala pequena, apinhada de gente, com um atendimento super lento... Pelo menos pudemos esperar sentadas e havia água para beber.... Finalmente, depois de muita espera, conseguimos resolver tudo. Saí de lá super cansada, as meninas mais ainda... Elas estavam com fome pois não haviam lanchado (o local mais próximo para comprar lanche era atravessando a avenida e eu nem podia sair da fila e nem deixar a Julia ir comprar só).

Levei as duas para nossa pastelaria preferida e enquanto esperávamos pelos pastéis aproveitei para conversar com elas. A experiência da fila foi sem dúvida muito ruim, mas decidi que serviria como um choque de realidade. Comecei perguntando o que elas acharam da fila. Elas reclamaram e falaram que era uma falta de respeito (são minhas filhas mesmo!). Eu então disse: "e vocês já perceberam como nós somos privilegiadas?" 

Elas não entenderam nada e eu continuei: " tem gente que pega filas assim toda vez que precisa ir ao médico. E muitas vezes é fila no sol. Ali a gente estava na sombra, não estávamos sujeitas a assalto e embora não tivesse cadeira, o chão era mais ou menos limpo, dava pra sentar.... tem gente que pega fila assim na rua, debaixo de sol e se quiser sentar vai ser na calçada suja e quente e tudo isso pra conseguir uma consulta com um médico.... tem gente que passa dias numa fila como essa pra conseguir matricular os filhos numa escola pública e às vezes nem consegue vaga... a gente passou apenas umas horaa na fila.... será que a gente pode se queixar da vida?"

Alice não entendeu, nem tem idade pra isso, mas a Julia entendeu sim. Dias depois mandei pra ela no whatsapp uma reportagem de pais acampando na fila para matricular os filhos numa escola estadual....  Acho importante dar um choque de realidade às vezes. Elas estão acostumadas a ter um conforto de classe média que a maioria da população não pode ter e isso é tão normal na vida delas que acabam não tendo a noção do que está além dos muros de casa.... Mas ter é essa noção é preciso, ensinar a elas a ter empatia pelo sofrimento alheio é preciso, acredito que é por aí que começamos a deixar filhos melhores para o mundo....
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Quando a saia justa tem outro sobrenome....

Julia está numa idade em que dormir na casa das amigas (ou as amigas dormirem aqui em casa) é um dos programas prediletos.

No começo das férias, a Sabrina, uma das BFF's dela, veio dormir aqui. Tudo tranquilo, elas brincaram bastante e já estava ficando tarde. Como eu queria ir dormir e sabia que nem tão cedo a brincadeira delas ía terminar, chamei as duas para um lanchinho para eu dormir tranquila. Fiz leite com chocolate e peguei alguns biscoitos que ela gostam e sentei na mesa da cozinha com elas. Na TV elas escolheram assistir Família Adams e eu achei que estava tudo bem....

Aí no começo do filme a Mortícia anuncia para a família que está grávida novamente. A Wandinha então vira e diz: "é, eles transaram..." Eu tive esperança de que elas nem tivessem escutado, mas elas escutaram... e a Sabrina, vira pra mim e diz: "tia, o que é transar?"

Eu não tinha saída.... fui pega desprevenida numa pergunta difícil.... e da filha alheia! Saia mais justa que essa eu desconheço... 

Eu então disse: "é como os pais fazem os bebês...". Ela olhou pra mim com uma cara de interrogação... A Julia sei que entendeu porque já conversamos abertamente sobre como os bebês são feitos, mas eu não tinha a menor ideia do quanto a Sabrina sabia e muito menos do quão profundo a mãe dela gostaria que ela soubesse desse assunto agora. Como ela continuava com a carinha de interrogação, eu falei: "é quando papai e mamãe namoram". Ela se deu por satisfeita e continuou lanchando e assistindo o filme....

Aí fui mandar um whatsapp pra mãe dela contando o fato. Graças a Deus somos muito amigas e eu pude ser muito sincera e clara sobre o que aconteceu... Imagina se é alguém que eu mal conheço?

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pérola Bilíngue

A escola das meninas esse ano adotou o sistema bilíngue. Alice com muita frequência solta algumas palavras em inglês, misturando os dois idiomas.

Outro dia eu estava dando banho nela e ela começou a contar em inglês. one, two, three, four .... sixteen, seventeen, eighteen, nineteen, TENTEEN!

Claro que eu caí na gargalhada ao ver que ela usou o mesmo raciocínio que havia usado quando aprendeu a contar em português e veio como famoso dezedez! E como é que corrige uma pérola dessas?
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Férias pra que te quero!

Férias escolares costumam ser o terror dos pais... Difícil entreter a meninada por 30 dias sem se render aos eletrônicos, sem deixar brincarem soltas na rua (a violência não deixa) e sem gastar muito dinheiro.....

Como eu tenho o privilégio de ser mãe em tempo integral, fico atrás de inventar o que fazer com as meninas. Claro que tem os momentos de tv, não sou de ferro. Mas invento museus, parques, pic nics na praça..... tudo pra tirar de casa! E nesse propósito, tenho descoberto muitas coisas legais na cidade, gratuitas ou com valor acessível (e o que é caro a gente junta uma turma pra baratear o ingresso). Já tem umas 3 férias que faço isso e não tenho me arrependido. 

Já levei as meninas a exposições em visitas guiadas gratuitas e voltadas para crianças na Unifor. Conheceram obras de artistas mundialmente famosos com Renoir, Botero, Portinari. Vi a Julia e uma amiga, ao final da visita, ficarem uma meia hora sentadas na frente de uma obra, conversando com a mediadora sobre o que elas viam e sentiam com aquela obra.... Levei também pra contação de histórias baseadas em algumas dessas obras. Levei para exposição de fotos de crianças refugiadas  no Museu da Imagem e do Som (que finalmente está sendo reformado), onde tivemos o privilégio de conversar com a fotógrafa, uma mulçumana de véu na cabeça que contou sua experiência nos acampamentos de refugiados e que respondeu com muito prazer às perguntas da Julia sobre o véu que usava.

Levei pra peças teatrais das mais variadas, interativas ou não. Na Caixa Cultural, durante as férias, há espetáculos infantis de muita qualidade, gratuitos ou com preços acessíveis. Lá participamos do espetáculo infantil mais criativo que já vimos, Shtim Shlim, do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias. 

Levei pra conhecerem prédios históricos, teatros e museus que contam nossa história. Cinema gratuito no centro no Cine Teatro São Luiz que é a sala de cinema mais linda da cidade e que nas férias oferece filmes gratuitos pras crianças diariamente. Levei pra almoçarem em um restaurante no prédio histórico do Hotel Excelsior (infelizmente nessas últimas férias quis repetir, mas o restaurante fechou). Levei pra brincarem no Passeio Público que é a praça mais antiga da cidade (e uma das mais gostosas, embora tenha sido muito mal frequentada durante muito tempo) e em outras praças perto de casa, fazendo pic nic com os amigos. Levei pra visita guiada no majestoso Theatro José de Alencar e elas conheceram, além da belíssima sala principal, o foyeur que é lindíssimo também, os jardins maravilhosos e o porão e os camarins que nos fazem logo pensar em histórias de fantasmas! Amaram!

Ainda no centro da cidade, foram em visita guiada ao Museu do Ceará onde viram dentre outras coisas relacionadas à nossa história, o famoso Bode Ioiô. Conheceram também o Sobrado do Dr. José Lourenço, que passa desapercebido da maioria das pessoas mas que é uma casa antiga, linda, histórica e que tem diversas exposições de artistas locais e onde fomos super bem recebidos.

Levei pra Seara da Ciência, uma espécie de museu de ciências totalmente interativo e gratuito, mantido pela UFC no Campus do Pici, onde elas e os amigos se deleitaram com vários experimentos, orientados por monitores. Foi sucesso!

Levei pra oficinas de malabares (e Claudio se revelou muito habilidoso) e pra oficina de pernas de pau (essa foi fantástica e até eu me rendi e subi na pernas de pau, um barato!). 

Levei pra verem coral de natal no centro da cidade, levei para o shopping de ônibus double deck gratuito só pela farra do passeio (elas amaram passar por toda a orla vendo tudo de cima).

Levei para o planetário e elas amaram a "viagem" pelo espaço. Levei para um passeio de trenzinho pelo centro histórico com guia explicando todo o percurso.

Levei para o Engenhoca (juntamos um grupo grande pra baratear o ingresso) e elas correram soltas e terminaram o dia imundas e felizes! 

E mesmo depois de 3 férias fazendo todos esses passeios (alguns são tão legais que a gente repete), ainda não esgotei todas as possibilidades que a cidade oferece. Confesso que alguns não são fáceis de descobrir, mas vale à pena a pesquisa pra ver a carinha de satisfação delas em cada passeio desses.

Eu termino as férias delas super cansada com tanta folia, mas é pra isso mesmo que elas querem férias, né?
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Hipóteses!

Alice está toda sabida e cheia de hipóteses pra tudo (e ai de quem discordar dela!). Cada hora sai com uma afirmação diferente que me faz rir até doer a barriga.

Julia estava estudando ciências e falando sobre a alimentação dos animais. Estávamos falando em herbívoros e carnívoros e Julia perguntou o que os pinguins comiam. Eu disse que eles comiam peixe e Alice complementou a informação: "é, eles são peixívoros!"

Ela também está num processo intenso de aprendizado e descobrindo a relação das letras com os fonemas. Vive fazendo associações como: "Alice começa com A, avião e abelha também." E aí, quando vimos um helicóptero, ela imediatamente gritou: "helicóptero começa com L". E dá pra discordar? L - COP - TE - RO!


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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pérolas da Alice 2

Arrumando a Alice para irmos ao shopping, eu pretendia colocar um laço de lado na cabeça dela. Mas ela não quis e soltou:

- Mamãe, coloca o laço atrás, no rabo de cavalo, que eu fico mais adolescente!


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Artur, o primo, pintou os cabelos de azul. As meninas viram, acharam legal e já pareciam acostumadas (elas todo dia vêem o Artur pois vão pra escola juntos). Um dia, quando estávamos indo pegar o Artur pra levar pra escola, Alice solta:

- Daqui a pouco vou encontrar com uma criatura de cabelo azul!


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Alice passou a manhã me desafiando e eu disse que se ela continuasse com esse comportamento não iria para um aniversário à tarde. Ela ignorou meu aviso e continuou, então mantive minha promessa. Enquanto eu estava terminando de me arrumar pra ir com a Julia para o aniversário, ela olhou pra mim e perguntou se eu ía sair com aquela roupa. Eu disse que sim e perguntei se eu estava bonita. Ela nem piscou e já respondeu:

- Tá não, tá feia!



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segunda-feira, 29 de maio de 2017

A vovoinha é nossa!

"A vovoinha é nossa" foi a hashtag usada nas fotos da nossa viagem à Gramado. Fomos em abril, na Semana Santa, com as meninas e D. Angela. Já fazia tempo que queríamos voltar a Gramado pra levar as meninas (nossa lua de mel foi lá), mas é uma viagem cara, até pela distância. Quando no final do ano passado encontramos passagens num bom preço, não deixamos a oportunidade passar.

As meninas curtiram tudo de Gramado. Estavam super animadas planejando tudo! Alice todo dia me perguntava se era o dia de viajar. E viajar com a avó foi mais que especial para elas. Foram no avião ao lado dela, no carro também. Elas são alucinadas pela avó e tê-la só pra elas foi um sonho! Estreitaram ainda mais os laços.

D. Angela também é uma pessoa muito fácil de se conviver. Topou todas as aventuras, curtiu com as meninas, acompanhou tudo! Curtiu até a neblina espessa que nos deixava sem visibilidade na estrada. Topou desde a neve do snowland até andar a pé pelo centro e vibrou com as descobertas das meninas. 

Julia dormiu com a avó a viagem inteira e aproveitava a hora de dormir para ouvir as histórias de viagens dela (e ela tem muitas histórias pra contar). De manhã me contava encantada o que tinha ouvido à noite. Julia também estava muito atenta pra ajuda-la: quando a calçada era irregular ou em declive, ela procurava dar apoio para a avó não desequilibrar. Amo esse cuidado e esse carinho dela com a avó!

Alice curtiu tudo, não sentia nem frio! Se comportou super bem na viagem e olhava tudo com muita atenção, chegou cheia de novidades pra contar...

Mais uma viagem em família pra ficar na história, cheia de lembranças que ficam no coração e que renovam nossas energias! E que venham mais viagens em família: fortalecem nossos laços e fazem nossas almas sorrirem!
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