sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Consumismo Infantil


O dia das crianças está chegando e um assunto vem martelando na minha cabeça: consumismo. Esse é mais um dia criado pelo comércio para nos fazer gastar o que não temos em algo que não precisamos e por uma razão inexistente. Tá certo que é muito bom dar e ganhar presente. E nada no mundo paga a carinha de felicidade de um filho quando ganha o brinquedo tão esperado. Mas saber o limite entre satisfazer uma criança de forma responsável e estimular o consumismo desenfreado me parece uma das árduas tarefas da maternidade/paternidade.

E essa é uma questão que já vem me preocupando há alguns meses, quando comecei a observar o interesse da Julia pelas propagandas de brinquedo no Discovery Kids. Ela assiste pouca TV para os padrões de crianças brasileiras, até porque passa o dia na escola. Mas mesmo assim o interesse dela já foi despertado. Dia desses ela estava agarrada na mamadeira tomando o leitinho dela e parou pra cantar a música da propaganda! Sim, com 2 anos e 4 meses ela já conseguiu decorar música de propaganda!!!

Pesquisando um pouco sobre o assunto, vi no site do Instituto Alana (www.alana.org.br) a seguinte informação:  
“as crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas, alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos de seguro, combustível e produtos de limpeza.”  

Gente! O que é isso???? Como diz a propaganda, “80% faz muita diferença!” Se eu já estava preocupada, fiquei ainda mais! Porque ninguém nasce consumista e sim se torna consumista. Isso é hábito. E os hábitos se formam com as experiências de vida de cada um. Trocando em miúdos, vou ter que ser muuuuuuuuuuuito firme pra não criar uma criança que valorize mais o ter que o ser (com o perdão do clichê). 

Ainda no site do Instituto Alana, outra informação me chamou atenção: “A TNS, instituto de pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também foi identificada como uma forte influência.”  

De volta à minha realidade, semana passada tive uma grande “negociação” matinal com a Julia sobre a escolha da calcinha que ela ía usar pra ir à escola. Isso mesmo, a calcinha! Eu peguei uma que tinha a Cinderela, a Bela e a Aurora mas ela queria a da Branca de Neve que é a “princesa” predileta dela. Mesmo eu mostrando as outras princesas e dizendo que a calcinha da Branca de Neve estava suja não houve jeito. Consegui resolver o impasse quando sugeri a calcinha da Barbie, outra grande paixão dela (por sinal perguntamos o que ela queria de dia das crianças e ela respondeu: a Barbie).  Meu Deus, será que estou criando uma monstrinha do consumo?????? E é porque ela ainda não chegou na fase de se importar com a opinião dos amigos. 

E agora? Quem poderá me defender???? No site da Unimed (www.unimed.com.br) encontrei umas dicas interessantes sobre como lidar com essa situação:


Não dê tudo que seu filho pede.
Diga a verdade sobre suas condições financeiras; é importante que as crianças saibam os limites dos pais.
Ajude-o a descobrir o significado das celebrações e explique que elas vão além da prática comercial e da troca de presentes.
Estimule a doação de algum brinquedo antigo quando ele pedir um novo.
Analise a utilidade do produto pedido.
Incentive o hábito de leitura e de jogos diversos que estimulem a criatividade.
Além dessas atitudes, avalie sua própria vulnerabilidade ao consumismo e verifique se a tendênciaa de enxergar os produtos como forma de gratificação está inserida nos hábitos da família e tente evitá-la. Lembre-se de que as crianças costumam imitar ações e falas dos adultos.

Resumo da ópera: está na hora de rever nossos hábitos e conceitos para tentar tornar a Julia uma criança consciente na medida do entendimento dela. Vamos mudar para educar através de exemplos. É, ninguem disse que ía ser fácil............. E viva a maternidade!


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Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto, informativo, um assunto muito importante a ser levado muito mais a sério nas redes de ensino de todo o país.