domingo, 28 de novembro de 2010

Orgulho da minha pequena falante!

Coruja, eu? Assumidíssima! Então vou falar mais um pouquinho da Julia.

Hoje foi um dia que me diverti muito com ela. Está conversando tudo! Vou contar alguns episódios.

Nós íamos sair e ela, já pronta, ficava me rondando enquanto eu me arrumava. Eu fico enlouquecida com isso. Imagina uma pessoa com calor, se arrumando apressada e tendo uma criança ao seu redor em quem se tropeça o tempo todo e que ainda tenta te trancar no closet???? Pois é...... é assim que eu costumo me arrumar! Aí teve uma hora que minha paciência foi pro beleléu e eu fui saindo do quarto e dizendo: "Julia, pelo amor de Deus, vai lá pra fora. Eu não posso nem me arrumar em paz!" Na mesma hora ela respondeu: "eu não sou rapaz, eu sou menina!" Preciso dizer que me desarmou completamente? Foi uma boa gargalhada!

No caminho liguei pra Naná, minha cunhada, pra saber se ela queria ir com o Artur encontrar com a gente pra tomar sorvete e as crianças brincarem. A Naná não podia ir porque tinha um compromisso. Quando eu desliguei o telefone, pra minha surpresa, começou o inquérito: "mamãe, com quem você falou?" Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.........eu mereço ter que dar satisfação pra "meio metro de gente"...... Aí fui explicar que tinha ligado pra tia dela mas que nem a tia e nem o primo poderiam ir encontrar com a gente. Ela não se deu por vencida: "e a tia Kika?" Eu  então perguntei: "você quer que eu ligue pra tia Kika pra ela ir com a gente?" Ela disse que sim e eu liguei e a madrinha, que faz só tudo o que ela quer, topou na hora! Eu achei ótimo porque além da companhia, a Julia se aproveitou da madrinha e me deu uma folguinha pra que eu pudesse dar um pouco de atenção pra mamãe (que foi com a gente também).

Mas a baixinha não parou por aí! Agora deu pra se meter nas minhas escolhas. Fala dos meus esmaltes, fala dos meus acessórios, das minhas roupas........... hoje, enquanto eu esperava a mamãe entrar no carro, fui trocar os óculos escuros pelos de grau porque não estava enxergando mais nada. Só escutei o grito: "não, mamãe!" Eu olhei pra trás e perguntei: "o que foi, Julia?" Ela disse: "deixa esse!" Não se conformava porque eu queria trocar os óculos. Eu posso???? Ainda tive que argumentar pra convencê-la.... ai Jesus!

Depois do sorvete ficamos um tempo curtindo a tia Kika. Julia cantou, dançou, brincou, tudo pra se exibir pra madrinha! Ah, também se maquiou porque a tia Kika sempre libera a maquiagem pra ela! Mas o pior é que quando ela está com as tias ou com a avó ela vira uma santa, nem parece a "abençoada" que tenho em casa. Eu conto algumas coisas e parece que eu estou mentindo. Mas hoje a Kika teve oportunidade de presenciar umas presepadas dela. Uma das mais recentes e frequentes é quando ela está fazendo coisa errada e eu chamo: "Julia!" naquele tom que todos os filhos entendem que estão encrencados. Ela olha pra mim com a cara mais sonsa do mundo e diz: "oi?" Onde ela aprendeu isso, meu Deus????

Mas ela não aprende só presepada não! Também está aprendendo com os exemplos! E eu fico toda orgulhosa!!!! Sempre que ela me oferece algo, se eu não quero, digo: "não, obrigada!" Hoje ela brincando com a Kika, a madrinha ofereceu pra ela "suco de laranja". Ela sem nem pestanejar disse: "não, obrigada!" Inchei!
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Momento mãe coruja

Como todos já sabem que sou coruja assumidíssima, me sinto muito à vontade pra falar e falar da Julia.

Sexta-feira foi a festinha de encerramento do ano letivo na escola. Eu amo essas festinhas porque vejo o quanto a Julia se desenvolveu e está desinibida. A primeira festinha que ela participou foi a de encerramento do ano letivo de 2008. Ela estava no berçário e tinha 6 meses de idade. Nossa, como eu chorei! Mas chorei de soluçar, paguei o maior king kong na festa. Nessa festinha já fiquei toda orgulhosa porque a Julia, que no palco estava no braço de uma berçarista, prestava atenção a tudo e olhava para o público. Claro que na minha imaginação de mãe coruja, eu pensava: "ela está entendendo tudo!"

Na festinha de encerramento do ano letivo de 2009 ela já estava uma "mocinha". Fez uma parte da coreografia mas se encantou com as pipas que as crianças da turma dela tinham nas mãos e aí não queria saber de mais nada. Mesmo assim eu fiquei na platéia babando, afinal estávamos no lucro pois muitos coleguinhas ou estavam chorando ou estavam parados no palco, sem ação.

 
Esse ano foi super legal, pena que não filmei (preciso providenciar uma filmadora urgente!). Ela prestou bastante atenção nas apresentações das outras turmas, batia palmas acompanhando as músicas, uma graça! Na apresentação da turminha dela, fez a coreografia com perfeição (para uma criança de 2 anos e meio, claro). Eu estava MEGA ORGULHOSA!!!!!!!! Mal conseguia me conter na cadeira! 

Ah, como é bom ver minha pequena crescendo, se desenvolvendo, desabrochando! Fico toda boba! Ela dança tão direitinho, acompanha a coreografia tão direitinho............. ano que vem vou colocá-la no ballet. Aí que vou babar mesmo!
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Violência urbana

Esses últimos acontecimentos no Rio têm me deixado triste e preocupada. Triste pois, como carioca que sou, fico com muita pena de ver minha cidade, tão linda e tão bem descrita como maravilhosa, se acabar numa guerra sem fim. Uma guerra que na verdade nem deveria existir.

E fico muito preocupada com o futuro que aguarda a Julia. Em que tipo de sociedade ela vai viver? Será que ela vai poder sair pra se divertir em paz? Fico pensando como serão minhas noites quando ela começar a ir pra balada............ acho que nunca mais na vida vou conseguir dormir em paz e meu sono tá mega atrasado já.......

E não adianta pensar que isso só acontece no Rio e que é um problema bem distante da gente, daquelas coisas que a gente só vê em noticiário. Não! A violência está na nossa porta. Fortaleza já foi uma cidade pacata, mas faz muito tempo que deixou de ser.

Penso que essa violência absurda que vemos é falta de Deus. Não estou aqui falando que as pessoas têm que viver dentro de uma igreja rezando e louvando a Deus o tempo todo, muito pelo contrário. Esses dias ouvi um grupo de jovens evangélicos conversando e um deles falou uma coisa muito interessante: "não precisa ficar 24h por dia louvando a Deus. Ele tem os anjos pra fazer isso. Mais importante é colocar em prática os ensinamentos Dele."

E acho que é justamente isso que falta: colocar em prática o "amai-vos uns aos outros". Basta isso e o mundo já seria muito diferente. Acho que se cada pai e se cada mãe tentar ensinar isso a seus filhos, desde pequenininhos, muita coisa poderá mudar. Eu vou tentar!
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Viver em comunidade...

Quem me conhece sabe que eu sou muito boazinha.............. até pisarem nos meus calos!

No dia-a-dia procuro ser paciente, gentil, sorrir para as pessoas. Não sou fã de fofocas, não gosto de hipocrisia. Também não gosto de viver dentro da casa de vizinhos. Pra mim, vizinho não tem que ser o melhor amigo, mas também não é pra ser inimigo. Acho que quem vive em comunidade tem que ter o mínimo de noção de que existe o outro, que tem seus direitos, seu espaço, suas necessidades e sua privacidade. E eu faço tudo pra sempre respeitar isso.

Mas hoje de manhã aconteceu uma coisa que me chateou muito. Eu estava saindo pra deixar a Julia na escola e um vizinho ía saindo no carro na minha frente. Pra sair do condomínio só tem 01 caminho. Ele ía na minha frente e de repente parou. Eu parei atrás. Ele não andava. Aí dei um toque de leve na buzina. Mas foi de leve mesmo até porque detesto buzina (a minha às vezes nem funciona e eu nem mando ajeitar). Ele não se mexeu. Esperei um pouco e buzinei de novo. Eu sei que ele não se mexia e eu comecei a buzinar com mais vontade. Ele nada! Aí saí do carro. Eu ía até ele, ía dar um bom dia e perguntar se precisava de ajuda. Juro que ainda ía tentar ser gentil, pra não ficar chato. Mas quando comecei a caminhar na direção dele, ele andou com o carro. Entrei no meu carro de novo e quando fomos chegando ao portão (que já estava aberto) ele parou de novo. Ficou falando com o porteiro. E eu atrás, buzinando. Dá pra crer que a criatura ainda parou pra falar com o porteiro???????????

Aí ele abriu a porta do carro e se virou como quem vai descer. Gente, meu sangue ferveu! Eu abri a porta também e disse (aí o tom de voz já estava áspero): "você pode tirar o carro da frente para eu passar?" Ele virou pra mim com cara de b.......... e disse: "meu carro está com problemas". Eu só disse assim pra ele: "então avisa, vc não está me vendo buzinar?"

Mas sinceramente, não acho que o carro estivesse com problemas, não ouvi barulho de carro sendo re-ligado. E outra, porque não liga o pisca-alerta? Já seria um indício. Na verdade acho que ele deveria ter descido e dito: "me desculpe, meu carro está com problema" mas esperar isso já seria demais, né? Até porque sinceramente acho que o carro não estava com problemas. Ele saiu do condomínio numa boa, só me irritando, no meio da rua pra eu não passar....... affffffffffffão, viu?

O pior mesmo de tudo isso é que se foi mentira não preciso nem comentar, né? Total falta de noção de convivência em comunidade. Se foi verdade, faltou delicadeza na convivência. Você está vendo uma pessoa querendo passar e você está no meio atrapalhando, mesmo sem intenção, custa dar uma satisfação???? É a questão de se considerar a existência do outro. Assim entendo eu..........
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sábado, 20 de novembro de 2010

A Independência!

Eu sei que hoje não é 7 de Setembro, mas vou falar de independência sim! Independência da Julia. A bichinha é arretada, não quer ajuda pra quase nada! Tudo ela diz: "não mamãe, só a Julia!" ou então: "deixa eu fazer sozinha!"

Agora me diz o que uma criança de 2 anos e meio pode fazer sozinha? Ela quer comer sozinha (faz a maior lambança, mas eu deixo), quer tomar banho sozinha, quer se vestir sozinha, quer escovar os dentes sozinha, quer cantar sozinha (acho que ela não gosta da minha voz.......rsrsrsrsrs), quer subir nos móveis sozinha, quer escolher roupa e sapato sozinha.......

Tem dias que ela sai com cada combinação............ outro dia foi pro shopping de bermuda, batinha e bota! Aí demos de cara com a Joana, coordenadora da escola. Foi de cara com ela e eu de cara no chão! De vergonha! Como é que a mãe arruma a filha tão marmotosa? Mas não fui eu, juro!

Pra tomar banho tem sido uma novela. Ela só quer lavar o cabelo sozinha, mas obviamente ela não tem coordenação motora e nem paciência (nessa idade a paciência pra certas coisas é curta demais!) pra lavar o cabelo BEM LAVADO sozinha. Mas também não me deixa ajudar. Eu tento negociar dizendo que eu faço em cima da cabeça e ela faz atrás e que depois a gente troca, mas confesso que não tenho conseguido muito êxito............. o que eu consigo esfregar a cabeça dela é meio "na marra" mesmo.........E escovar os dentes então tem sido um suplício, porque ela acha que pode só. Aí fico me lembrando de quantas mães eu chamei a atenção por deixarem os filhos escovarem os dentes sozinhos nessa idade........... elas diziam: "mas dra, ele não me deixa escovar, quer escovar só" e eu só respondia que nessa idade eles não tem capacidade pra fazer sozinhos e que elas tinham que escovar (mas isso com um tom de quase chamando a mãe de sem pulso com a criança). É..... quando o calo é na gente o sapato aperta..............

Entrar e sair de brinquedos e ambientes, subir em móveis (com minha total reprovação), abrir e fechar portas, ligar e desligar aparelhos eletrônicos e lâmpadas é com ela mesma. SOZINHA! Ai de mim se me meter a besta de querer ajudar. É capaz dela dizer: "sai, mulher!"............ ainda não consegui eliminar o "mulher" do vocabulário dela...... No dia do aniversário da Luna os monitores do buffet ficavam impressionados com independência dela. E como ela conseguia fazer a maioria das coisas a que se propunha. Tá, eu sou coruja, mas não estou exagerando, viu?

Hoje no shopping, pela primeira vez, deixei ela brincar no parquinho, aqueles fechados, carésimos (por isso que nunca tinha deixado.......ahahahaha). Pensa que ela olhou pra trás? Nem aí pra mim....... foi brincar. A monitora ficava ao lado dela o tempo todo pra ajudar............. ela nem aí pra moça............

Depois fomos ao supermercado. Sempre que estou com ela, pego os carrinhos que tem um "carro" pra criança "dirigir" pra ver se ela fica quieta. Mesmo que nada. Ela desce o tempo todo do carrinho pra escolher o que quer comprar, vai de shampoo do patinho a desinfetante. Quando olho meu carrinho está cheio.


E aí vem mais um dilema da minha vida de mãe: até que ponto devo deixar por conta dela, pra que ela aprenda realmente a ser indepente? E em coisas essenciais como higiene pessoal, como lidar com o "grito de independência" sem abrir mão do cuidados básicos com a saúde? Enquanto não encontro as respostas adequadas, vou usando meu instinto e não abro mão de certas coisas cruciais como a escovação noturna, as outras eu até deixo por conta dela. O cabelo eu vou na marra, como já disse e a roupa, se não for uma ocasião especial, passo vergonha mesmo. Em relação a abrir e fechar portas eu deixo, sempre chamando atenção sobre os cuidados com os dedinhos, mas juro que tem horas que queria um manual, que garantisse 100% de êxito na educação, mas aí perderia a graça, né? Ai, Jesus, como é difícil educar!
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Julia me levou pra festa

É.... tá crescendo mesmo! Julia ontem me levou pra festa. Era aniversário da Luna, amiguinha dela da escola. Foi a primeira festinha de amiguinhos fora da escola em que a turma toda foi convidada. E como a Julia curtiu! A felicidade dela de encontrar com os amiguinhos fora do ambiente escolar era contagiante.

Foi jóia! Eu me senti toda importante quando cheguei e fui me apresentando como a "Mãe da Julia" e todos os pais e mães sabiam quem era a Julia. Deixei minha timidez de lado e se não consegui conversar mais com os pais foi porque Julia me solicitava muito pra brincar (tá "mal" acostumada). Ela brincou muito, abraçou muito os amigos, correu, riu e não queria vir embora. Eu adorei ter mais contato com os amiguinhos dela e com os pais deles. Gostei principalmente de ver que muitos são bastante comprometidos em formar cidadãos de bem. E fiquei com muuuuuuuuuita vontade de fazer uma festa de aniversário pra Julia pra chamar todos os amiguinhos! Vamos sonhar, quem sabe, né?

Por enquanto fico com a foto de parte da turminha se encantando com as guloseimas da lembrancinha!


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Validando sentimentos

Há um tempo atrás li que a gente não deve subestimar os sentimentos de uma criança. Tipo, se ela cai e chora, não adianta dizer que não foi nada, que não doeu. Se ela está com medo de fantasma, não adianta dizer que isso não existe. Esse tipo de atitude só prolonga o choro e faz a criança não sentir a segurança e proteção nos pais.

Comecei a testar isso com a Julia. Quando ela cai ou se machuca e chora, eu pego no colo, faço carinho e digo: "doeu, não foi?" O choro passa bem mais rápido, ela percebe que eu compartilho a dor dela, que entendo o que ela tá passando, se sente confortada. Quando ela quer, por exemplo, brincar até mais tarde e já está na hora de dormir porque no dia seguinte tem escola cedo e ela então ensaia uma birra, eu uso a mesma tática, digo que sei que ela quer brincar e explico o porquê não pode naquele momento. A minha negativa "desce" bem mais fácil.


Ontem mesmo usei essa tática. Passamos na padaria e ela queria pipoca a todo custo mas estava em falta. Aí começou o choro. Quando usei a tática ela parou de chorar e ouviu minha sugestão. Simples assim!

Tá certo que nem sempre é tão fácil e também nem sempre eu me lembro de usar a tática. Mas quando eu me lembro, facilita e muito minha vida!
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fechar a boca e abrir os braços!!!!!!

Recebi esse texto por email da Naná, minha cunhada e achei muito bom. Resolvi compartilhar, é um pouco grande mas vale à pena!

Feche a boca e abra os braços

Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida. Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez.

Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema "Como pôde fazer isso conosco?" Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela. Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes?

Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço – com alguma frequência – quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe. Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: "Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços."

Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula. Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia. Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços. Kim correu para eles dizendo:

– Desculpa... Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.

– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. - Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou.

Felizmente, ela me perdoou. O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração.

Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação. Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, algumas vezes, ruidosa e unilateral.

Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis. É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação por trás dela quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto. Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, apesar de tudo. Dava para trabalharmos com "o que você acha que devemos fazer agora", em vez de ficarmos presos a "como foi que a gente veio parar aqui?"

Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família. Um deles veio me ver há alguns meses e disse "Mãe, cometi uma idiotice..."

Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha. Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.

– Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.
É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.

Diane C. Perrone
Histórias para aquecer o coração das mães
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e outros
Editora Sextante 

Gostei muito do que li, me emocionei......... não sei se porque tive uma mãe que na maioria das vezes abria os braços e fechava a boca ou se porque tenho ciência que preciso aprender a fazer isso e que o aprendizado não vai ser fácil............... mas, como tudo na minha vida de mãe, a cada dia eu aprendo mais um pouquinho e vou me aperfeiçoando!
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Alimentos perigosos para crianças

A revista Crescer publicou uma lista elaborada pela Sociedade Brasileira de Pediatria sobre os 10 alimentos mais perigosos para crianças. Vale à pena dar uma olhada, afinal um pequeno descuido pode trazer um resultado desagradável. O perigo de muitos deles é o engasgo, que eu tenho horror (talvez porque eu tenha facilidade pra me engasgar).

1- Amendoim

O maior perigo não é comer, mas seu filho aspirar um amendoim. Mas existem outros riscos: se uma criança coloca muitos na boca de uma vez só, ou se come rápido demais, há mais chances dela engasgar com um amendoim que não foi mastigado direito. Do ponto de vista nutricional, esse é um grão com muita gordura saturada, que é mais difícil de eliminar do corpo e a responsável por problemas como, por exemplo, hipertensão – mas isso apenas em casos extremos. Ele também é o que mais causa alergia alimentar nos Estados Unidos. Quando você oferecer ao seu filho, sirva poucos - e de pouquinho.

Amendoim ainda não despertou o interesse da Julia, mas como nós gostamos muito e sempre tem nas reuniões aqui em casa, vou ficar de olho.

2- Azeitonas e caroços

Se você tem crianças em casa, prefira comprar azeitonas sem caroço. A possibilidade de elas morderem com força demais a azeitona e quebrarem ou lascarem um dente danificado existe sim. Isso sem falar no risco de engasgar. No caso de frutas com caroço, como a ameixa, é preferível servi-las já cortadas. Para as crianças que já comem bem sozinhas, uma boa recomendação para tomar cuidado deve ser o suficiente. 

Azeitona é outra que nunca despertou o interesse da Julia, mas vou começar a pensar em comprar sem caroço porque qualquer hora dessas ela coloca uma na boca.

3- Balas

Balas são uma verdadeira paixão entre as crianças. São coloridas, docinhas, e têm um monte de sabores deliciosos. Mas é bom ficar de olho nos pequenos para ter certeza de que não estão indo com muita vontade ao pote. Por serem feitas de açúcar, elas podem provocar cáries - principalmente as balas mastigáveis, que costumam grudar nos dentes. Além disso, morder uma bala dura pode até mesmo comprometer a integridade dos dentes - e garantir uma visita especial ao dentista.

Balas são uma paixão da Julia, da mamãe da Julia e do papai da Julia! Mas eu só deixo ela provar as mastigáveis. Também parto antes de dar na boca dela, pra não ficar muito grande. Ah, ela só come balas quando tem aniversário e vem na lembrancinha, e o pai e eu confiscamos a maioria antes que ela veja (tudo pelo bem dela.....rsrsrsrsrrs)

4- Bolachas e salgadinhos

Alimentos industrializados ricos em gordura, açúcar e sal trazem sérios riscos para as crianças, que podem sofrer com obesidade, hipertensão, colesterol ou triglicédides. Mais uma vez, a solução é não cometer exageros. Deixe a bolacha e o salgadinho para o fim de semana. 

Esse aí é um ítem difícil........... adoramos! Mas também só em fim de semana e olhe lá (essa regra é pra ela, porque enquanto ela está na escola eu confesso que às vezes caio em tentação)

5- Fígado e outras vísceras

O fígado é o órgão responsável por eliminar toxinas do corpo, daí a possibilidade de que ele tenha uma alta concentração de substâncias estranhas ao organismo da criança. A boa notícia é que a maior parte delas é termosensível, o que significa que, se o fígado for bem cozido, as chances de infecção alimentar são mínimas. Vale lembrar que essa é uma das carnes mais ricas em ferro, nutriente essencial para evitar a anemia (falta de células vermelhas no sangue). 

Nem me preocupo com esse ítem. ODEIO fígado, nunca comprei.

6- Mel

Não é só uma recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, mas também da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o mel não deve ser dado a crianças antes de um ano de idade. Segundo a SBP, é ainda melhor esticar esse prazo até os dois anos porque o mel pode estar contaminado com uma bactéria que causa o botulismo , doença que ataca o sistema nervoso e compromete o funcionamento dos músculos.

Nem me preocupo com esse ítem.(2) ODEIO mel, nunca comprei.

7- Ovo mal cozido

Quando for servir ovos em casa, garanta que eles estejam bem cozidos ou, se fritos, com a gema durinha. Cozinhar ou fritar bem os ovos afasta o perigo da contaminação por salmonela, doença que poder causar dores de barriga, diarreia e febre. No caso das crianças, que têm o sistema imunológico em formação, é até possível que haja algumas complicações e a necessidade de ir para o hospital. 

Adoro ovo! Com arroz e farofa então....... hummmmmmmm.......... mas Julia não gosta. Já tentei que ela comesse de todo jeito e ela não come. Nem farofa de ovos e é porque ela é louca por farofa.

8- Peixes com espinhos

Nesse caso, engasgar com os espinhos é a grande preocupação. Se seu filho já se alimenta bem sozinho, oriente-o a comer o peixe aos poucos, em pedaços pequenos, mastigando muito bem e sem pressa. Se ele for pequeno, é a sua atenção que deve ser redobrada. Tire todos os espinhos que você encontrar antes de servir. Também é importante conhecer bem a qualidade do local onde você compra peixe. Não custa lembrar que ele precisa aparecer na mesa da sua casa por, no mínimo, três vezes por semana. Afinal, os benefícios dele ao nosso organismo são muitos. Peixes são recomendados para evitar o colesterol, ajudam no desenvolvimento cerebral das crianças e ainda são fontes fartas de proteína, minerais e vitaminas.  

Esse é um ítem que merece muita atenção. Quando como peixe fico cheia de cuidados. E tenho muito medo de dar pra Julia e pra minha mãe também. Pavor de engasgo!

9- Pipoca

Doce, salgada, branquinha ou colorida, é difícil não gostar de uma pipoca quentinha – ainda mais se acompanhada de um filme muito legal. O grande problema está, na verdade, no risco de engasgar com uma delas. E nsine seu filho a comer devagar, em pequenas porções, e a mastigar bem cada bocado , lembrando que pipocas, no mundo ideal, elas só devem ser consumidas a partir de 4 anos. 

Hahahahahahah!!!!!!!! Pipoca só a partir de 4 anos é piada, né? Julia come desde 1 ano de idade a AMA. Por ela comeria todos os dias. Enche a boca! Mas fico de olho e já expliquei que não pode colocar os milhos que não estouram na boca. Graças à Deus nunca engasgou.

10- Refrigerantes

Além dos problemas mais conhecidos, como a obesidade e as cáries dentárias, os refrigerantes também trazem o risco de a criança desenvolver osteoporose quando mais velha. Os fosfatos presentes nas suas fórmulas aumentam a presença de fósforo no organismo, o que impede a absorção de cálcio, substância mais do que importante para a constituição dos ossos.

Esse é um sério candidato a ser um problema futuro. Claudio e eu adoramos coca-cola zero (só entra ela aqui em casa) e tomamos todo dia no almoço e às vezes no jantar. Mas por graça de Deus Julia não se interessa. Ela já provou coca-cola, guaraná e fanta uva (nenhum dado por mim) e fez careta....... até quando?

Não pretendo banir definitivamente nada disso da vida da Julia. São coisas gostosas. Mas Claudio e eu pretendemos nos educar para evitar esses ítens no dia-a-dia porque o exemplo é a melhor forma de ensiná-la. E o resto é ficar de olho em relação aos engasgos!
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domingo, 14 de novembro de 2010

Sabadão.......... diversão!!!!!!!!!!

Sábado, 5 da tarde, telefone toca. Marise fazendo um convite irresistível: "vamos à pracinha do Lago Jacarey?"

Claro que eu disse sim na hora! Julia e eu adoramos esse programa! Fomos Julia e eu, Marise e Sara e Adriana e Letícia. Essas 3 pequenas curtiram tanto! Brincaram no parque, na areia, no escorrega, no balanço....... comeram pipoca e pastel....... pintaram gesso........... correram, brincaram de boneca, se encantaram com bolinhas de sabão! Sábado é dia de ser criança!


E as 3 mamães também curtiram. Porque deu pra conversar, deu pra relaxar sentindo o ventinho bom no rosto, respirar outro ar. É bom sair de bermuda e rasteirinha, sem se preocupar com nada além da diversão.

Fazia tempo que eu não fazia um programa assim. Quero repetir outras vezes! E quero comer pastel de novo!


Deu vontade? É só curtir um programão em família na pracinha! Afinal, as coisas realmente boas e importantes na vida não custam caro!

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sábado, 13 de novembro de 2010

Julia e as palavras

Eu curto demais conversar com a Julia, principalmente quando ela está com a "língua solta". Adoro ver o jeito que ela se expressa, não só com palavras mas também com gestos, entonação e mímica facial. Fico impressionada com a velocidade com que ela adquire vocabulário.

Hoje a noite foi um desses dias em que ela estava com toda a corda pra falar. Conversou, cantou, "leu" dois livros pra mim, falou ao telefone com a Madrinha........ uma graça! Sou doida pra filmar a conversa dela, mas é só eu chegar com a câmera que ela se cala.......

Algumas coisas do "juliês" dela eu decorei. Por exemplo, ela ignora o R das palavras. Então pra ela as cores são "vede" e "vemelho" e a "pincesa" que ela mais gosta é a "Banca de Leve". Vez por outra também troca a posição das sílabas. A personagem do Maurício de Souza é a "Môkina", não sei como ela consegue falar, porque eu só falto dar um nó na língua. No dia do passeio da escola, ela foi de "ôbinus". Eu fico só rindo!

Engraçado mesmo é quando ela começa a contar uma história. Parece uma comadrezinha falando, articula bem as palavras e gesticula muuuuuuuuito. E ainda fica querendo que a gente confirme: "não é, mamãe?". Levei um susto grande a primeira vez que ela falou pra mim: "vem, mulher!" 

Essa eu cortei. Sei que vai ser impossível ela não usar essa expressão, eu também uso vez por outra, mas penso que ela deve usar com as amigas dela. Comigo não! Eu sou e sempre serei a MÃE dela e não uma mulher qualquer. Não sei se estou errada, se estou sendo radical, mas não me senti confortável com isso. Por mais que eu use a expressão, nunca me dirigi à minha mãe ou às minhas tias desse modo. Enfim, achei melhor cortar. Não é que eu queria manter um distanciamento da minha filha. Quero ser sim uma mãe sempre presente, em quem ela possa confiar, mas também quero deixar muito claro que sou a mãe e não uma amiga. E quero que ela saiba "dar a César o que é de César". Ai, Jesus, como é difícil educar!


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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Minhas unhas cresceram!!!!!

Estou aqui de volta. Desde sexta estou com uma crise de enxaqueca das brabas. Já tive tontura, já tive sensação que a cabeça ía explodir............ ainda não fiquei boa, mas como está suportável vim compartilhar que minhas unhas cresceram!!!!!!!!!!!!!

Eu nunca usei unhas grandes. Elas são naturalmente compridas e se eu deixasse elas crescerem, me atrapalhavam na profissão. Mas como agora só trabalho com auditoria, posso ter unhas compridas! Mas elas não cresciam.......... quebravam, descascavam, um horror. Quebravam no meio (sentido do comprimento) aí ficava dolorido toda vez que encostava em algo............. deve ser falta de vitamina, estou me alimentando muito mal  mesmo. 

Um dia estava no supermercado escolhendo um esmalte e vi a Nutribase Pró-Nivelamento da Colorama. Comprei no impulso, quando cheguei em casa até achei que fiz besteira mas como eu já tinha comprado, resolvi experimentar. Tem aproximadamente 1 mês que estou usando e minhas unhas não quebraram mais! Estão crescendo e só não estão maiores porque eu serro (tá, Sarah, eu lixo!). Estou sentindo que estão  mais durinhas, também não descascam e as unhas dos polegares que eram cheias de "lombadas" estão um pouco mais niveladas (mas isso pode ser somente impressão minha). 

 


A base é verdinha mas não interfere na cor do esmalte. Se minha câmera desse o foco legal de perto eu fotografava minhas unhas, mas como não dá, fica aí a imagem da base, pra quem se interessar!
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sábado, 6 de novembro de 2010

Minha pequena está crescendo...

Ontem foi um daqueles dias em que a gente pára e pensa: nossa, minha filha já não é um bebê, tá crescendo.......

Julia foi com a turminha da escola para um passeio no Ecopoint. Foram de ônibus, com as professoras e parte da equipe técnica da escola. Eu fiquei num misto de ansiedade, orgulho e curiosidade (queria ser uma mosquinha pra acompanhar tudo!). Ela ía toda satisfeita, conversei com ela sobre o passeio e o quê ela ía ver lá e mandei um recado pro macaquinho por ela (será que deu? rsrsrsrs). Também recomendei muito que ela não saísse de perto da professora, só não sei se adiantou alguma coisa...... Fiquei acompanhando de longe até a hora que ela entrou no ônibus, se pudesse teria ído junto. Na hora que fui buscá-la na escola, a primeira coisa que ela me contou foi: "mamãe, eu andei de cavalo!"

Ah, como cresceu! Passeando com os amiguinhos, vivendo "aventuras", descobrindo o mundo........... eu fico só assistindo de camarote. A felicidade dela me contando que andou de cavalo foi suficiente pra eu saber que o dia tinha sido fantástico. Sentei no chão e fiquei  conversando com ela e com o Arthur, que é amigão dela. Os dois me contaram o que viram, falaram da onça, dos papagaios numa empolgação tão linda, tão contagiante, que só as crianças são capazes de alcançar. Pra elas tudo é festa, tudo é novo, tudo é bom! Me contaram também que a Julia andou num cavalo rosa e o Arthur andou num cavalo azul............... a imaginação rolou solta e eu aproveitei pra viajar com eles porque esse mundo colorido que eles enxergam é muito mais bonito e divertido!
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ô coisa boa é avó!!!!!!!

Hoje não sei porque estava conversando com minha faxineira sobre o relacionamento da Julia com as avós. Julia é super dada e adora as duas.

Minha mãe não pode curtir a neta como sempre sonhou. Infelizmente elas interagem pouco, não por falta de vontade das duas,  mas por falta de condições da minha mãe mesmo. Mas mesmo assim a Julia gosta muito dela. Pede pra ir na casa dela, sente falta, tenta fazer a avó participar das brincadeiras dela, coloca a avó até pra brincar de roda! Tenho muita pena porque minha mãe tem duas netas lindas e não pode curtir de modo pleno. Não pôde nem me ajudar quando a Julia nasceu............elas se curtem da maneira que é possível, mas sinceramente, me machuca muito não poder contar com minha mãe pra me ajudar e principalmente saber que a Julia dificilmente vai se lembrar de bons momentos com a vovó Ecilda......

Minha sogra é um doce, pessoa fácil de gostar e faz só tudo que a Julia quer. A Julia conhece tão bem a avó que tem, que determinadas coisas ela nem pede a mim, pede à avó porque sabe que eu digo não, mas que a avó não consegue dar um não a ela...rsrsrsrrs. E desde pequenininha, bastava minha sogra chegar que não tinha pra ninguém, a Julia só queria saber dela. Eu sinceramente não tenho ciúmes, muito pelo contrário, acho ótimo! Primeiro que a Julia já é muito grudada comigo, então é bom que ela mude o foco um pouco (bom pra mim e pra ela, quem tem um filho de 2 anos me entende!). Depois, eu nunca curti minhas avós, uma morava longe e a outra morreu quando eu era pequena, então acho que Julia tem mais é que curtir a avó sim! Tem que aproveitar esse amor desmesurado, essa disponibilidade infinita que só as avós tem. Porque a mãe tem as preocupações e responsabilidades do dia-a-dia e o medo do futuro. As avós já passaram por isso e adquiriram a serenidade que a experiência traz. Além disso, não são elas que têm  (ou pelo menos não deveriam ter) a responsabilidade de educar, orientar, alimentar............... Julia perto da avó sempre ganha pipoca, chocolate, afagos, beijos, brincadeiras novas e velhas,  risadas e uma dose enorme de amor!

Acho que isso é o melhor de ter avó: brincar sem pensar no tempo, numa troca constante de amor, num mundo de fantasia. É se sentir a criança mais importante do mundo, mais inteligente, mais bonita, porque a avó acha tudo isso dos seus netos. É comer chocolate a qualquer hora, porque pra ser feliz não tem hora marcada!
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

A hipocrisia do politicamente correto


Nunca gostei dessa onda de politicamente correto. Acho hipocrisia de americano. Não adianta deixar de chamar uma pessoa negra de negra mas continuarmos a tratá-la como um ser inferior. Não adianta inventar nomes politicamente corretos pra designar deficiências físicas ou mentais e continuarmos a segregar essas pessoas, seja por falta de acesso nas cidades, por falta de inclusão nas escolas ou por qualquer outro tipo de preconceito. Muito mais honesto seria assumirmos nosso preconceito e começarmos a trabalhar isso de forma clara. Negar a existência do preconceito não vai fazer com que ele suma, muito pelo contrário, vai fazer com que se enraíze ainda mais na nossa sociedade enquanto fazemos de conta que ele não existe.

Andei lendo no site da revista Crescer (http://revistacrescer.globo.com/) uma reportagem falando sobre a proibição do livro Caçadas de Pedrinho de Monteiro Lobato pelo CNE. A seguir a reportagem:

O jornal Folha de S. Paulo divulgou hoje que o CNE quer vetar a utilização do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, na rede pública de ensino, por considerar que contém mensagens racistas. A orientação aguarda agora a homologação ou não do ministro da educação Fernando Haddad, o que, segundo sua assessoria, não tem prazo para acontecer.

“Negra de estimação”. É assim que Monteiro Lobato apresenta ao mundo Tia Nastácia, a senhora que mora no Sítio do Picapau Amarelo, responsável pelos quitutes mais incríveis e apetitosos e por tantas histórias do folclore brasileiro que povoam o imaginário daquela família e de todos os leitores de Lobato. Por toda a obra, ela é citada como “preta” ou termos do tipo e, no livro Caçadas, o trecho: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão” é o que mais incomoda o Conselho,de acordo com documento elaborado por causa de uma denúncia recebida na Secretaria de Promoção de Igualdade Racial.


Para a socióloga Lourdes Atié, consultora e coordenadora pedagógica do Prêmio VivaLeitura, a resolução é mais uma atitude pelo politicamente correto. “É a mesma discussão com os que querem alterar a cantiga Atirei o Pau no Gato ou mudar o final da história de Chapeuzinho Vermelho. Ignoram que os textos de Lobato pertencem a um contexto histórico e devem ser valorizados por representarem a cultura brasileira. Lobato é nosso patrimônio, faz parte das nossas raízes”, afirma. Maria José Nóbrega, coordenadora do curso de pós-graduação em língua portuguesa do Instituto Superior de Educação Vera Cruz, chama atenção não para as palavras usadas pelo escritor, mas do jeito que tanto Tia Nastácia como também Tio Barnabé eram tratados pelos moradores do Sítio. “São afetuosos e, acima de tudo, escutados. Isso é o que sempre mais me impressionou na obra: há uma interlocução, o negro tem voz e até mais do que hoje em tantas famílias. Podemos não mais chamar de “preto” ou “negro”, mas em muitos locais eles não são sequer escutados”, afirma. Márcia Camargos, que é escritora com pós-doutorado em história pela USP e especialista em Monteiro Lobato, concorda. “É negar o caráter educativo e pioneiro das histórias que trouxeram como uma das protagonistas Tia Nastácia, detentora do saber popular que aparece com destaque e voz própria ao longo das aventuras”, diz a consultora da GloboLivros, que atualmente publica toda a obra do escritor .


A preocupação com obras que incitem o preconceito pode até ser legítima em alguns casos, mas precisa de avaliação. Se o intuito for discutir os termos usados pelo autor, que praticamente criou a literatura infantil brasileira, isto pode acontecer com o texto em mãos. “Jamais uma obra como esta, um clássico, poderia ser proibida em qualquer lugar. Temos que continuar lendo Lobato, sempre. É possível, sim, ter uma boa conversa sobre o assunto, e assim estimular o senso crítico da criança em relação a um texto. Em vez de vir com moralismo, sugira novos pontos de vista. Que tal ler e conversar com a criança, fazendo perguntas como: por que será que eles se referiam com essas palavras a pessoas negras? Se fosse você, como falaria? Se ouvisse alguém falando assim com um amigo, como reagiria? E nunca deixar de valorizar toda a riqueza que as histórias de Lobato trazem a qualquer tipo de leitor”.


Para Márcia Camargos, ao contrário do que o CNE indica com esta ação, os professores não são incapazes nem despreparados para lidar com situações deste tipo. “Eles têm bom senso e critérios de julgamento para elaborar as informações, sendo que provavelmente cresceram lendo ou assistindo às aventuras do Sítio do Picapau Amarelo. Os alunos tampouco consistem em receptáculos sem autonomia nem valores. Aliás, Lobato defendia que a criança é dotada de inteligência e discernimento. Infantilizá-la, varrendo para debaixo do tapete temas polêmicos, é desprezar sua capacidade de escolha e minar o desenvolvimento do seu espírito crítico”, diz.

Pisaram no meu calo! Além de não concordar com a onda do politicamente correto, todos sabemos  que  Monteiro Lobato é um gênio da literatura infantil. Sou fã assumida desde antes de aprender a ler. Aos 6 anos ganhei a coleção todinha e guardo até hoje, apesar de estar bastante manipulada. Quero que Julia tenha a oportunidade de conhecer essa obra tão maravilhosa. E sinceramente não fiquei mais preconceituosa por causa da obra não! Eu sei que tenho preconceito, mas ele faz parte da nossa cultura, cabe a mim trabalhá-lo. E em relação à Julia, considero que é mais importante que ela tenha contato com essa obra tão fantástica, que conheça nossa cultura (com seus pontos positivos e negativos) e que aprenda a ter espírito crítico, que aliás é uma das grandes qualidades da obra de Monterio Lobato através da Emília. 

Sr. Ministro Fernando Haddad, por gentileza e por amor ao país, gaste seu tempo com questões relevantes para a educação de nossas crianças e jovens e não perca tempo com o barulho do politicamente correto. Não subestime a capacidade de nossos alunos e professores debaterem o assunto em sala de aula e tirarem da obra de Lobato tudo que ela tem de bom.

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