quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dizer não à violência

Muito se fala hoje a respeito da violência e de como ela deve ser combatida na nossa sociedade. E tem que se falar e muito mesmo, pra ver se um dia todo o ideal se torna realidade. 

Mas a violência não deve ser vista apenas como algo "da sociedade" ou "das comunidades carentes". Temos que enxergar que muitas vezes ela está dentro das nossas casas e é justamente dentro de casa que ela tem que começar a ser combatida. Eu achava que isso não ía ser um problema muito grande aqui em casa, não temos costume de brigar, nos respeitamos, nos amamos e demonstramos esse amor. E de fato Julia é uma menina carinhosa e meiga, acredito que seja um reflexo do ambiente em que ela vive.

Mas, como a vida de mãe não é tão fácil assim, ontem eu  levei uma "bofetada". Depois da aula Julia sempre fica brincando com os amiguinhos. Ontem não foi diferente, mas em determinado momento, ela veio com um barquinho de plástico na mão e apontou para o pai de um coleguinha dela (que por sinal ela gosta muito, tanto do pai como do filho) e fez: "pou! pou! pou! pou!"

Isso mesmo, ela fez de conta que estava atirando nele, assim do nada. Na hora eu nem dei muita bola, encarei como "normal", coisa de criança. Mas depois que cheguei em casa, fiquei pensando naquilo. E comecei a me questionar em relação a como estou passando pra Julia a orientação sobre a não-violência.

Essa não foi a primeira vez que Julia brincou de "arma". Ela já brincou outras vezes com o primo. Mas sempre era dentro de um contexto. Hoje foi completamente inesperado, não tinha nenhuma outra criança brincando de arma, nem inventando um vilão ou um lobo mau. Eu já conversei com ela em outras oportunidades sobre isso. Já expliquei que não se mata ninguém, nem os bichos. E sempre reforço que bater não é legal e ela mesma vive repetindo que nos amiguinhos é pra dar abraço e beijo. 


Mas o que aconteceu ontem me deixou muito pensativa, muito mesmo. Como vou fazer pra alcançar melhor o entendimento dela? Tenho que achar uma forma de fazê-la entender que não se pode sair "matando". Ela não assiste muita tv e eu não gosto de deixar ela assistir nada que tenha violência, mas tem um filme do Mickey que ela adora, Os 3 Mosqueteiros, e ele mostra os personagens lutando de espada, acho que esse vou cortar (vou morrer de pena porque eu adoro as músicas desse filme......rsrsrrs). Penso também em cortar  todas as vezes que ela estiver brincando de espada ou qualquer outra "arma". Só que estou me sentindo um pouco perdida em relação a isso. Porque também não posso simplesmente criar um mundo de faz-de-conta em que não existe nada de violência. Ela tem que saber que violência existe, até pra saber se defender. Mas não pode ser a primeira a bater............ Ai, Jesus, como é difícil educar!
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