quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Agressividade X Combatividade


Julia é um doce de criança, mas quando quer uma coisa............ sai de baixo! Ela, na disputa com outras crianças, vai pra cima, não fica acuada nem quando o "opositor" é maior. Isso a Alê, professora dela ano passado, já tinha me dito. E esse ano, mal as aulas começaram, a Rozana, atual professora, já comentou comigo. Eu acho muito bom ela saber "brigar" pelo que quer. Brigar no sentido positivo. Mas fico muito preocupada com choros, birras, gritos, tapas, empurrões, mordidas..............

Ela não costuma agredir fisicamente, mas grita como ninguém. E toma o que quer da mão dos amiguinhos. Acho que toda mãe fica numa saia justa quando seu filho está disputando alguma coisa com um amiguinho e comigo não é diferente. Tento ensinar que tudo se consegue conversando e que é legal dividir, mas às vezes tenho a impressão que estou falando com as paredes.

Mas hoje, por acaso, achei um texto muito interessante da pedagoga Nereide Tolentino no site do Colégio Bialik. O texto é grande, vou tentar tirar as partes que achei mais interessantes.

As formas de relacionamento nos primeiros anos de vida podem marcar decisivamente nossas futuras relações com o mundo. A capacidade do adulto de lutar por seus objetivos, por exemplo, está muito ligada à maneira como a criança, a partir de 1 ano, 1 ano e meio, luta pelas suas coisas. Esse despertar da combatividade na criança pode criar situações incômodas. Porque, nesta fase, lutar é morder. E morder dói, deixa marcas. E os pais ficam muito encucados com isso. Se o filho morde: meu Deus, será que ele não vai ser violento? Se é mordido: então ele vai passar a vida deixando que os outros batam nele ?As primeiras manifestações da agressividade por parte da criança geram no adulto uma ansiedade muito grande. É que o adulto logo relaciona agressividade com violência. Mal a criança de 1 ano e meio morde o filho do vizinho, a mãe conclui: "ele vai achar que brigar é a solução." Quando, na verdade, isso nem passa pela cabeça da criança. Na grande maioria das vezes, ela apenas está querendo um determinado objeto e usando a sua combatividade para consegui-lo. É bom prestar atenção nessa palavra - combatividade. Porque no decorrer da vida, você vai encontrar muitos estudos sobre a agressividade como traço negativo na personalidade infantil. Agora, sobre a combatividade, que é canalização positiva da agressividade, você não vai achar praticamente nada em livro nenhum. E o resultado prático disso é que, com medo de que a agressividade vire violência, não se trabalha a combatividade da criança. E depois você vê aí muito gente, especialmente dessa nova geração, com problemas de timidez, de iniciativa, de relacionamento. Jovens inseguros que, diante dos obstáculos, caem fora, entregam barato, ou então partem para o autoritarismo e querem resolver tudo rápido e na marra.


Hummmmm, gostei do que li! Não é ruim que a criança brigue pelo que quer, mas cabe aos pais canalizar o combate!

Combater para conseguir o que quer: para sua formação, é fundamental para a criança saber que possui esta força - e esse direito. No entanto, veja a reação dos pais. O adulto já chega dizendo: "viu, seu feio, você machucou o Ricardinho! "Na verdade, intencionalmente a criança não fez nada disso. Mas, diante da reação do adulto, vai-se formando nela um sentimento de culpa em relação à vontade de querer as coisas. Eis o que se passa em sua cabeça: "eu sou feio porque quis isso, então eu não devo lutar pelas coisas, tenho mais é que esperar que alguém me dê". E teremos aí mais uma criança desestimulada a batalhar pelos seus objetivos. Agora, vamos supor que a criança esteja disputando alguma coisa (um chaveiro, o garfo, a caneta) com um adulto. Ela logo percebe que o adulto é forte, é grande, e que sua força interna no momento - a boca - não é nada contra aquele gigante. Então, o que ela faz? Faz birra. Grita, se deita no chão, bate o pé. É a única forma que ela encontra de manifestar sua força interna, sua capacidade de lutar por um objetivo - a chave do carro que o pai não quer dar. A birra é a mordida psicológica quando o inimigo é fisicamente mais forte. Em torno de um ano e meio de idade, a criança costuma se atirar no chão quando quer as coisas. Nessa faixa, é a única maneira de demonstrar sua força em relação ao que quer. Joga sua força inteira contra aquele obstáculo que para ela é a força maior - o adulto. E a sua força, naquela idade. Você já viu uma criança de 5 anos se atirando na rua para conseguir as coisas? Com um ano e meio, ela não só faz isso como não deve ser inibida no seu  jeito de se  manifestar. A  criança  não é  capaz  de  entender o seu  jeito  irritante de  se expressar. Ela sente que você está anulando é a força que ela está empregando para lutar pelo que quer. Os pais em geral não estão preparados para viver estes momentos. Nem para a birra, nem para a mordida. Na birra o componente social influi muito. Afinal, a criança dá escândalo; se atira no chão na frente das visitas, chuta a porta, derruba coisas no supermercado. Atitudes que para certos pais são apenas indicadores de má educação, de menino malcriado. Com a mordida é a mesma coisa. Que brigue, discuta, dê ou leve um tapa, tudo bem. Mas chegar em casa mordido já complica. A marca está ali, dolorosa, feia, começando a inchar. A reação dos pais: "mas como, nosso filho, tão pequeno, já é um saco de pancadas?" É fundamental, portanto, que os pais entendam a linguagem da criança em cada fase do seu desenvolvimento. Só assim eles vão ajudar a criança a se expressar através de maneiras mais maduras e civilizadas.
 
 

Quando a Julia faz birra eu procuro manter a calma, procuro dizer que entendo o que ela quer ou o que ela está sentindo, procuro validar os sentimentos dela. Mas explico que com birra não se consegue nada. Ah, mas nem sempre eu consigo manter a calma........ exatamente porque acho horrível criança fazendo birra. Está na hora de rever meus conceitos e encarar a birra de outro modo.

(...) o importante, repito, é a postura interna que neste momento está se formando: diante do obstáculo, a criança enfrenta com os meios de que dispõe, ou, reprimida, volta para trás. O importante é que o adulto permita o exercício da combatividade. Com os pais parece mais complicado. Chega no parquinho, mal o filho vai disputar um brinquedo com outra criança, a mãe corre ansiosamente em cima: empresta o carrinho para ele que ele logo devolve. Pronto, o problema foi resolvido, só que do ponto de vista do adulto, do ponto de vista social. Para a criança que ainda nem desenvolveu direito o sentido do tempo, não tem isso de “empresta um pouquinho que depois ele devolve, ela quer o brinquedo naquele momento. A pronta e ansiosa intervenção do adulto condiciona efetivamente a criança a depender dos outros para conseguir o que quer. Lá pelos 3 anos, esta criança chega choramingando para a mãe e se queixa de que quer um brinquedo e o amigo não quer dar. Então a mãe reclama que o filho vive na barra da saia dela, que não tem iniciativa, que os outros batem nele e ele não reage. Ora, quem ensinou isso? Quem condicionou que os objetivos daquela criança tinham que depender sempre do adulto? Quem não permitiu que ele pudesse disputar coisas, medir suas forças diante de um rival? Disputar era um direito dele. Hoje perder, amanhã ganhar, avaliar sua força - tudo isso é um grande aprendizado. A disputa é uma fase natural do desenvolvimento e, quanto menos o adulto gera ansiedade em cima dela, mais rapidamente ela passa.

Taí outro ponto em que vou ter que me reeducar. Eu costumo intervir quando a Julia entra numa disputa. Vou tentar deixar mais por conta dela, não quero minha filha "grudada na barra da minha saia". É um longo caminho a ser percorrido esse de manter a calma e não intervir.

Xingar também pode ser outro indicador de desenvolvimento. Chega uma fase em que a criança começa a responder a avó, xingar a vizinha. Os pais que sonham com um filho obediente e bem dentro dos padrões sociais, se preocupam: "então ele vai crescer assim? xingando todo mundo?" Claro que não vai. Não é só porque ele xinga aos 3 anos que ele vai xingar toda a vida. Mas nessa fase é meio inevitável: ele descobriu as forças da palavra. Descobriu que verbalmente pode expressar uma agressão de forma até mais eficiente que uma mordida. E vai repetindo palavras cujo significado nem entende - puta, merda, bobo... Ouviu por aí e sabe que contêm uma agressão.

Eita, já vou me preparar pra isso também. Porque já peguei a Julia xingando umas duas vezes. O "palavrão" que ela usa é "cocô".

A melhor atitude é sempre aquela que parte da compreensão da próxima fase do desenvolvimento da criança em matéria de expressão. Porque aí é possível ajudá-la a amadurecer para a etapa seguinte, mesmo sabendo que maturidade não é coisa que acontece de um dia para o outro.Duas crianças, por exemplo, estão brigando por uma boneca. Uma puxa, outra puxa, uma morde e a outra abre um berreiro. Normalmente minha postura é a seguinte: "olha, você não precisa morder, peça a boneca que ela lhe empresta." Amanhã ela vai chegar e pedir emprestado como eu sugeri? Claro que não. Se ela soubesse pedir, provavelmente teria pedido, não teria mordido. Mas, agindo desta maneira, eu estou canalizando: primeiro, a importância dela lutar pelo brinquedo e, segundo, a forma adequada de relação com o outro quando ambos querem a mesma coisa: o uso da palavra. Dependendo da idade da criança, pode-se até sugerir: "você brinca um pouquinho e depois empresta pra ela."E eu sei: amanhã aquela criança vai morder de novo para conseguir aquele brinquedo. Mesmo assim, é importante fazer com que ela desperte para a fase seguinte (verbal) sem ser inibida em seu estágio atual.

É exatamente isso de no dia seguinte a Julia fazer igualzinho que me dá a sensação de estar falando para as paredes, sensação de incompetência mesmo no meu papel de educar. Eu explico que basta pedir o que quer e ela continua tendo as mesmas atitudes e aí eu me frustro.

(...) não se pode alimentar expectativas em relação a uma atitude para a qual a criança não tem maturidade ainda. A expectativa do pai é que está errada, não a criança. Ela ainda não tem os conceitos de "peça, divida". Ela quer, vai em cima e morde quem se interpõe. Isso é básico para o adulto: ter consciência de onde a criança deve chegar e não querer que ela chegue lá antes da hora. Em cada fase, é saudável perceber como a criança está se valendo da força que tem no momento. A mesma coisa com o choro. A criança quer uma coisa e já vai abrindo um berreiro. Você diz: "não precisa chorar, eu dou." Amanhã ela vai chorar de novo? Claro que vai. Porque é teimosa? Não, apenas porque ainda não sabe dizer: "me dá água." Só por isso. Mas, ao ensiná-la a pedir, você está canalizando sua energia para a próxima situação. Um dia, em vez de chorar ela diz "me dá água" e você vai ver que foi muito importante tê-la ajudado a descobrir a força da palavra.

Ah, agora as coisas começam a clarear pra mim! Não é que eu seja incompetente para educar, é que ela ainda não alcançou maturidade suficiente pra agir como eu digo, mas vai alcançar! Isso é um alívio!

(...) O importante também é que a atitude do adulto seja sempre coerente. Se a criança chora por uma faca que não pode ter, não pode mesmo. E dar o motivo: "não dou a faca porque ela pode cortar o seu dedo, não precisa chorar desse jeito, por que você não brinca com uma coisa que não tem perigo?" E manter sempre essa mesma postura. A criança vai entender? Não. Mas aos poucos percebe que a negativa tem um motivo. "vai machucar" essa ainda não é um razão muito clara para a criança. Mas de alguma forma, ela vai entender que há uma razão. Que você não está negando por negar. Agora, se amanhã, para não ouvir mais um choro, você dá a faca, confunde tudo. Uma razão existe ou não existe. Vale ou não vale. Se pode dar, dê. Não pode, não dê. Nem hoje, nem amanhã, nem por bem, nem por birra.A primeira infância é fundamental para a formação da personalidade. Muito pai diz que a criança é fácil levar. É fácil porque você é a força. Mas a força da criança existe. Se não for bem compreendida, respeitada, canalizada, vai estourar de um jeito torto na adolescência ou mesmo na vida adulta. 

Coerência e segurança no que estou dizendo e fazendo sempre! Calma, paciência, compreensão. Educar criança não é nada fácil!!!!
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sábado, 22 de janeiro de 2011

A Independência (2)!

Já falei aqui sobre a independência da Julia e como ela me deixa de cabelos em pé, querendo fazer tudo sozinha. Eu acho lindo e engraçado como ela se posiciona perante o mundo e os desafios. Não é de recuar, gosta de superá-los.

Agora que está falando feito uma matraca, ninguém segura mais essa baixinha. Quando a gente chega em restaurantes ela diz exatamente o que quer para o garçon! Outro dia, numa pizzaria em Ribeirão Preto, o garçon me perguntou se eu queria beber algo, pedi uma coca zero, em seguida, antes que ele pudesse abrir a boca, a Julia soltou: "eu quero suco de laranja." O garçon ficou atônito ao ver aquele pingo de gente toda decidida tomando a iniciativa. Eu babei!

Ontem foi outro dia que ela tomou à frente. Estávamos na padaria tomando picolé (sexta-feira é dia de picolé  depois da escola) e ela terminou antes de mim e ficou me pedindo pão. Como eu ainda estava tomando o meu, disse que ela fosse no balcão pedir o que queria. Ela nem titubeou, se levantou me avisando pra ficar ali que ela voltava já, e foi pro balcão pedir o pão. Recebeu, agradeceu e voltou pra mesa. Claro que eu estava atrás dela, até pra sinalizar pra moça da padaria que ela estava fazendo um pedido, pois ela não conseguia ver a Julia porque o balcão é quase da minha altura. Mas ela se entendeu com a moça e conseguiu o que queria.

Desde novembro que ela descobriu que poderia alcançar o gelágua e agora a diversão dela é encher o copo pra beber. Foi interessante a maneira como ela descobriu. Eu estava na cozinha lavando louça e ela chegou dizendo que iria beber água. Pegou o copo e colocou no gelágua mas, por mais que ficasse de ponta de pé e se esticasse, não alcançava pra apertar o botão da água. Eu fiquei só olhando, esperando ela pedir ajuda (porque procuro intervir o mínimo possível) mas ela não pediu. Só disse assim: "ah, já sei, vou pegar minha chinela." Saiu da cozinha e voltou calçada com as havaianas e aí sim, de ponta de pé, conseguiu alcançar o botão da água. Como ela raciocionou que se calçasse a chinela ficaria  mais alta e alcançaria eu não faço a menor idéia, porque confesso que na hora nem pensei nessa possibilidade para ela.

Mas acho facinante observar esse lado do desenvolvimento dela e como ela raciocina. Me encho de orgulho também e elogio bastante. Às vezes preciso me policiar pra não elogiar absolutamente tudo como se fosse algo inédito pois quero que ela seja uma pessoa equilibrada e não alguém que se acha acima de todos. Mas também quero que seja alguém que tem auto-estima elevada. Não sei se me fiz entender, mas é realmente um equilíbrio delicado o que pretendo alcançar. Resumindo, tenho que elogiar sim, mas na medida certa, inclusive porque ela tem que aprender a lidar com frustrações e também tem que aprender que tem limitações, para então buscar superá-las. Mas para ter força de superar as limitações, tem que ter auto-estima elevada e para isso o elogio aos pontos positivos ajuda bastante. Complicado? Muito! Mas nada na vida de mãe é fácil, né?
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Falando (mal) de novo do Politicamente Correto

Já falei aqui que acho a história do politicamente correto uma hipocrisia. Grande, por sinal! Aí achei no site Educar para Crescer um artigo da Lya Luft sobre  a onda do politicamente correto nas histórias e cantigas infantis. Sou obrigada a concordar com ela! A versão politicamente correta de Atirei o pau no gato me dá agonia (principalmente cantada pelo gatinho no XSPB 3).

Tenho observado alguns esforços psicopedagógicos no sentido de tornar nossas crianças politicamente corretas - postura que muitas vezes nos transforma em seres tediosos, sem graça nem fervor. Contos de fadas, por exemplo, alimento da minha alma de criança, raiz de quase toda a minha obra adulta, sobretudo romances e contos, foram originalmente - dizem estudiosos -narrativas populares, orais, de povos muito antigos. Assim eles representavam e tentavam controlar seus medos e dúvidas, carentes das quase excessivas informações científicas de que hoje dispomos. Nascimento e morte, sexo, sol e lua, raios e trovões, o brotar das colheitas lhes pareciam misteriosos, portanto fascinantes.

(...)

Porém, faz algum tempo, há um movimento para reformular tais relatos, tirando-lhes sua essência, isto é, o misterioso e até o assustador. Lobos seriam bobalhões e vovozinhas umas pândegas, só existiriam fadas boas, e as bruxas, ah, essas passam a ser velhotas azaradas. Até cantigas de roda seculares tendem a ser distorcidas, pois atirar um pau num gato é uma crueldade, como se fosse preciso explicar isso para as crianças saberem que animais a gente ama e cuida - se é assim que se faz em casa.

Vejo em tudo isso um engano e um atraso. Impedindo nossas crianças do natural contato com essas antiquíssimas histórias, que retratam as possibilidades boas e negativas do mundo, nós as deixamos despreparadas para a vida, cujos perigos entram hoje em seus quartos, rondam escolas e clubes, esperam na esquina com um revólver na mão de um drogado, ou de um psicopata lúcido e frio, sem falar nos insidiosos pedófilos na internet.

(...)a alma humana busca a expectativa, o segredo e o susto. Precisa conhecer o mal para se acautelar e se proteger, o belo e o bom para crescer com esperança. Mas nós, pedagogos e pais, nem sempre seguros e informados, começamos a querer alisar excessivamente a estrada para eles, não lhes ensinando que o mal existe, assim como o bem, que o belo nos atrai, assim como o monstruoso, e que é preciso desenvolver discernimento (gosto dessa palavra), isto é, a capacidade de entender e distinguir o melhor do pior, a fim de fazer com mais clareza e segurança as inevitáveis escolhas.

Precisa de mais argumentos? Acredito que não. As experiências da infância vão moldar o adulto do futuro. Ele precisa ser bom e fazer o bem, mas precisa saber que o mal existe, pra se defender dele e pra combatê-lo.



Há algum tempo andou circulando pela internet um email que falava mal de nossas cantigas de ninar. Comparava com as americanas (reino do politicamente correto) que são singelas. As nossas tem boi da cara preta, cuca e outros diversos personagens de nosso folclore. Alguém aqui é traumatizado porque adormeceu ao som de "Boi da Cara Preta, pega esse menino que tem medo de careta"? Eu não! E canto pra Julia quando tenho vontade. Quero que ela seja uma adulta equilibrada, que saiba enfrentar seus medos e saiba discernir (com bem disse Lya Luft) o bem do mal!
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E lá vem novos desafios......... o Infantil III

Ui! Novos desafios pra agitar a Minha Casinha Feliz estão na área! Julia está crescendo e é praticamente uma moça! Já vai para o Infantil III. A mãe babona aqui está se derretendo.................. e também está apavorada!!!!!!

Sim, apavorada, sim! Gente, ela tem livro didático esse ano!!!!! Eu fiquei bege quando vi na lista! Quando comprei o tal livro, aí que me espantei: logo de cara vai começar a ter contato com as letras! Vi várias tarefinhas no livro que eram sobre letras....... ai, ai, ai.......... Eu já estava ansiosa com a passagem para o Infantil III porque será outra professora, outra rotina e também porque é o último ano da Julia nessa sede da escola (ano que vem vai pra escola dos "grandes"). Depois que vi  o livro fiquei apavorada.

Aí quinta-feira passada teve reunião com a coordenação para informar aos pais as mudanças pedagógicas que acontecem no Infantil III. Eu estava ansiosa por essa reunião. Descobri que a Julia vai ter "dever de casa" todo dia....... vai começar a ter "responsabilidade". Mas o que estava me preocupando era o fato de já ter o alfabeto na história. Que eu me lembre, eu aprendi na alfabetização com a cartilha "A Casinha Feliz" (que foi a inspiração para o nome do blog). A primeira pergunta que fiz na reunião foi: "o que é esperado da criança ao final do Infantil III?" Graças à Deus é apenas reconhecer as letras que ela mais tem contato no dia-a-dia como a primeira letra do próprio nome. Ufaaaaaaaaaaaaaaaaa! A coordenadora falou que algumas crianças podem terminar o ano escrevendo seu nome com letra de forma, mas que isso não é obrigatório. 



Mas mesmo assim eu continuei preocupada. Então, sábado, fui conhecer a professora nova da Julia. Eu já "conhecia de vista" e gostei muito dela no nosso primeiro contato, é muito simpática e segura. Eu falei pra ela da minha preocupação e ela me disse que tem uma filha da idade da Julia que também vai fazer Infantil III e que ela, como mãe, também está apreensiva, que isso é normal, porque a gente sempre acha que elas são bebês ainda........ realmente, o meu grande medo é tudo isso ser demais pra Julia....... será que estou subestimando minha menina? Na saída fui dar um beijo na Alê, professora dela no Infantil II e ela me tranquilizou dizendo que a Julia está sim preparada para os desafios que tem pela frente.

Mas, chegando em casa, fui ler um pouco sobre alfabetização, porque não tinha opinião formada sobre o assunto. Encontrei muitas coisas interessantes. No site da Revista Escola, encontrei um artigo de Regina Scarpa (coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita) que fala algumas coisas interessantes sobre alfabetização na Educação Infantil:

 (...) alguns educadores receiam a antecipação de práticas pedagógicas tradicionais do Ensino Fundamental antes dos 6 anos (exercícios de prontidão, cópia e memorização) e a perda do lúdico. Como se a escrita entrasse por uma porta e as atividades com outras linguagens (música, brincadeira, desenho etc.) saíssem por outra. Por outro lado, há quem valorize a presença da cultura escrita na Educação Infantil por entender que para o processo de alfabetização é importante a criança ter familiaridade com o mundo dos textos. 

Na Educação Infantil, as crianças recebem informações sobre a escrita quando: brincam com a sonoridade das palavras, reconhecendo semelhanças e diferenças entre os termos; manuseiam todo tipo de material escrito, como revistas, gibis, livros, fascículos etc.; e o professor lê para a turma e serve de escriba na produção de textos coletivos. 

Realmente, é impossível não haver nenhum tipo de contato com a escrita durante a Educação Infantil. Ano passado, na sala de aula da Julia, tinham algumas coisas escritas, afixadas nas salas de aula, como a rotina diária, por exemplo. Eles não sabem ler, mas todo dia viam as palavras. Ainda no mesmo artigo,  Regina Scarpa, conclui dizendo:
 
Para que os alunos aprendam a ler e a escrever, é preciso que participem de atos de leitura e escrita desde o início da escolarização. Se a Educação Infantil cumprir seu papel, envolvendo os pequenos em atividades que os façam pensar e compreender a escrita, no final dessa etapa eles estarão naturalmente alfabetizados (ou aptos a dar passos mais ousados em seus papéis de leitores e escritores)".

Isso me deixou mais segura em relação a esse contato da Julia com as letras. Na verdade é praticamente o primeiro passo de um longo processo. Junto com o manuseio de livros, as contações de histórias e a própria curiosidade dela em entender esses símbolos que nos cercam, ela vai começar a se habituar a esse mundo novo pra ficar apta a se alfabetizar. Li em uma dissertação de mestrado (perdão, não consigo encontrar a referência agora) que não existe idade para aprender a ler e escrever e que esse processo de leitura e escrita começa cedo.

Concluí que na verdade, ler e escrever, como tudo na vida da criança, deve ocorrer no tempo dela. Algumas vão conseguir mais cedo e outras mais tarde. Mas a coordenadora, na reunião, frisou que o tempo de cada criança é respeitado. Tomara que sim! No mais, é encarar o desafio de estimular a Julia nesse aprendizado. Para que ela possa ter prazer com a leitura e a escrita no futuro. Isso é a base de tudo!


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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente!"

"Quando fevereiro chegar, saudade já não mata  a gente!" Quando fevereiro chegar, Claudio volta pra casa. Quando fevereiro chegar teremos novos desafios à frente.

Sim, novos desafios! É óbvio que tanto eu como ele estamos ansiosos para que fevereiro chegue, mas também estamos cientes do que temos pela frente, até já conversamos sobre isso. O ano de 2010, como já falei, foi muito difícil pra gente. O ano de 2011 será um ano de construção e reconstrução, um ano de trilhar os caminhos do futuro.

No campo profissional ele tem muito o que fazer, tem que conquistar o espaço dele. Até nem acho que ele vá encontrar muitas dificuldades porque, não é porque é meu marido não, mas ele é super competente!

No campo pessoal, também teremos desafios. Afinal, passamos o ano de 2010 namorando à distância. Ele estava administrando o apartamento dele do jeito dele, sem precisar da opinião de ninguém e eu estava administrando nossa casa do meu jeito. Agora precisamos juntar as duas coisas. Precisamos abrir mão dos maus costumes de quem mora só, precisamos casar de novo! Sim, começo de casamento é ótimo, mas também é tenso, porque duas pessoas com criações e costumes diversos vão passar a dividir a casa e as responsabilidades. Pois é, vamos reaprender a dividir! E agora com um bônus: a Julia!

Aí que eu acho que vai ser o maior desafio. Eu me acostumei, durante o ano passado, a tomar as decisões em relação à educação da Julia sozinha. Também passei a ser a grande figura de autoridade pra ela. Agora eu tenho que aprender a dividir a autoridade e a responsabilidade. Tenho que tomar decisões em conjunto e tenho que acima de tudo, respeitar a autoridade do Claudio, que é igual à minha. Não é fácil porque na hora do sangue quente quem está acostumado a tomar a decisão pode virar um tirano.

Para ele o desafio vai ser ainda maior. Ele tem que mostrar à Julia que ele tem autoridade, mas tudo com muito afeto. Isso porque durante esse ano longe, nos poucos momentos que estávamos juntos, ele não queria ficar dando ordens e brincava de igual pra igual com a Julia. A Julia ama o pai, mas a impressão que temos é que a figura do pai é de um membro da família que ela ama muito mas que é igual a ela na "hierarquia" familiar. Ou seja, quem  manda é a mamãe. Se a mamãe fala sério ela obedece, se o papai fala sério ela ri e tenta negociar. Deu pra sentir o drama?

Mas é isso, a vida da gente é sempre cheia de desafios. E isso que torna a vida gostosa, que nos faz sentir vivos! São os obstáculos que nos impulsionam a melhorar sempre. E a sensação de vencer um desafio não tem preço! Nós já vencemos vários e acredito que com a maturidade que alcançamos até aqui, possamos fazer de 2011 um ano de grandes vitórias pessoais e profissionais!
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sábado, 8 de janeiro de 2011

Viajar com criança 2

Estou em casa! Não tem lugar melhor no mundo que a casa da gente, né? Eu estava morrendo de saudades da minha casa e de tudo que tem aqui, particularmente do meu sofá novo (apesar de ser uma aquisição tão recente, presente de Natal, já me afeiçoei a ele!)

Mas estou mega cansada, a ponto de  não dormir porque o cansaço não deixa. Então pra relaxar um pouco vim contar minha saga de hoje! 

Já contei aqui que a ida pra Ribeirão Preto foi um caos! Chegamos acabados porque a Julia não parava um minuto. Eu já estava morrendo de medo da volta, mas me surpreendi............. criança é mesmo uma caixinha surpresas! Mas, a viagem foi cansativa mesmo assim. Pra começar eu fui me deitar umas 11 da noite e 1:30 da manhã já estava de pé, ou seja, só dei um cochilo...........

Me arrumei, fechei as malas e fomos para o aerporto. Quando nós chegamos ao avião eu quase caio pra trás! Estava esperando um air bus da Tam  e dou de cara com um avião de hélice, da companhia Trip (nos vôos regionais eles fazem muita permuta de vôo) exatamente igual ao da foto abaixo:

 
Esse avião é daqueles que não precisam nem de escadinha do aeroporto pra subir porque a única porta do avião é também uma escada! Isso mesmo, tipo jatinho, mas sem o "gramour". Dentro são 4 poltronas por fileira, duas de cada lado. Mas pense num avião confortável! Assentos mais largos, "banco de couro", mais espaços para as pernas, comissários super atenciosos! Isso foi me ganhando mas eu ainda tinha muito medo do vôo em si, só pensava que o avião ía balançar até se partir. Mas foi o melhor vôo dessa viagem!

Bom, depois desse vôo maravilhoso, chegamos à Guarulhos e aí foi 1h de espera, em pé com a Julia no colo, pelo outro vôo. Nenhuma alma caridosa se ofereceu pra me ceder o lugar........ fazer o quê, né? Pra completar me colocaram em assento separado do da Julia, pode? Assim que eu subi no avião falei logo com o primeiro comissário que encontrei. Demorou muito pra resolverem o problema até porque o avião estava super lotado e o embarque demorou muito. Mas conseguiram me colocar ao lado da Julia que é uma anjinha e dormiu de Guarulhos à Natal! Viva!

Mas, quando o avião começou a se movimentar na pista em Natal pra decolar, Julia fez um mega xixi que vazou da fralda e molhou a calça dela inteira! Pra completar ela quis ficar no meu colo na hora da decolagem então minhas calças ficaram molhadas de xixi também! Mas ela foi tão boazinha que esperou pacientemente até a gente poder tirar o cinto e ir ao banheiro pra trocar fralda e roupas.

O restante do vôo foi sem maiores incidentes. Apenas conversando o tempo todo porque a matraquinha não parava. Chegando em Fortaleza, fui pegar duas malas pesadas e a cadeirinha do carro (trouxe a que estava no carro do Claudio já que ele vai vender o carro lá). E só ouvindo a gritaria no aerporto. Não sei qual era o galã que estava chegando, mas tinha uma multidão de adolescentes enlouquecidas.  Coloquei a Julia em cima das malas pra não perder a baixinha no meio da multidão.

Passamos na minha sogra, na minha mãe e depois do almoço eu vim pra casa. Quando eu entrei no retorno pra pegar minha rua, Julia abriu o maior berreiro que queria o papai.. Ela chegou em casa muito cansada e super enjoada. Ainda inventou que queria tomar banho no chuveirão no quintal, eu mereço, né? Pra não criar polêmica fui dar o tal banho e aproveitar pra lavar meu cabelo e a mochila dela (ô mistura!). Depois do banho ela capotou e só então eu fui colocar as malas pra dentro de casa. Fui desarrumando aos poucos porque eu odeio arrumar/desarrumar mala. Mas meu corpo doía de cansaço............ O avião chegou aqui às 10:50 e eu terminei de desarrumar as malas às 19:00.........

Mas posso dizer que estou muito feliz por estar em casa! E mais ainda por saber que em cerca de 3 semanas Claudio também estará de volta à nossa casinha feliz! Pra sempre!
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Saudades da Escola.....

Esses dias aqui em Ribeirão Preto eu fiquei com muita saudade da escola........ da Julia!

Ahahahahahah, deixa eu me explicar: eu sempre achei horrível ouvir de uma mãe que não gostava do período de férias escolares e que dava graças à Deus quando as crianças estavam na escola. Eu pensava: "meu Deus, que absurdo, como uma mãe pode dizer isso? É um momento tão bom pra curtir com os filhos."

Mas isso era a minha pessoa antes da pessoinha linda da Julia. Não que eu não goste dela.  Amo demais, acho que não preciso nem dizer, e curto muito ficar com ela, brincar, conversar........... Acontece que é ótimo fazer tudo isso quando eu posso......... Agora tem noção do que é passar o dia com uma criança ao lado tendo que trabalhar?

Isso, lá em casa, que ela tem todos os brinquedos à disposição, todos os dvd's à disposição, o discovery kids a toda hora e bastante espaço pra correr já é difícil, imagine aqui  em Ribeirão Preto: eu estava quase surtando!!!!!!!!!!! Ela tinha poucos brinquedos pra escolher,  não tinha discovery kids (o que ainda me salvava um pouco era a tv cultura, mas a imagem na tv daqui é péssima) e não tinha espaço pra correr. Passava o dia se pendurando no meu braço, me chamando, pedindo pra ficar na janela (que, apesar de ser térreo e ter grades, é alta então eu não podia desgrudar), subia e descia da cadeira, jogava a massinha de modelar no chão, mexia na cozinha, ficava choramingando pra tudo, pedia colo............ fazia tudo pra chamar atenção. Pra completar, o Claudio estava trabalhando. Não no ritmo normal daqui, mas mesmo assim muitas vezes saía de manhã e só voltava à noite.......... ela passava o dia perguntando se ele já tinha chegado e todo carro que parava aqui no prédio, tinha que ir pra janela pra ver se era o pai........... Sério, contar até 1 millhão era pouco pra não perder a paciência!



Agora entendo perfeitamente as mães que não gostam do período das férias. As crianças que ficam só dentro de casa porque os pais estão trabalhando ficam mega entediadas. Eu estava com pena da Julia! Porque ela só queria atenção, alguém pra brincar, atividades mais interessantes. E eu não podia atendê-la.

Mas, a semana está acabando e estamos há poucas horas de embarcar de volta pra casa. Feliz porque em pouco mais de 3 semanas o Claudio volta definitivamente pra casa. E feliz também porque segunda-feira tem escola e aí nossas vidas voltam ao normal! Eu amo a escola!
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