sábado, 22 de janeiro de 2011

A Independência (2)!

Já falei aqui sobre a independência da Julia e como ela me deixa de cabelos em pé, querendo fazer tudo sozinha. Eu acho lindo e engraçado como ela se posiciona perante o mundo e os desafios. Não é de recuar, gosta de superá-los.

Agora que está falando feito uma matraca, ninguém segura mais essa baixinha. Quando a gente chega em restaurantes ela diz exatamente o que quer para o garçon! Outro dia, numa pizzaria em Ribeirão Preto, o garçon me perguntou se eu queria beber algo, pedi uma coca zero, em seguida, antes que ele pudesse abrir a boca, a Julia soltou: "eu quero suco de laranja." O garçon ficou atônito ao ver aquele pingo de gente toda decidida tomando a iniciativa. Eu babei!

Ontem foi outro dia que ela tomou à frente. Estávamos na padaria tomando picolé (sexta-feira é dia de picolé  depois da escola) e ela terminou antes de mim e ficou me pedindo pão. Como eu ainda estava tomando o meu, disse que ela fosse no balcão pedir o que queria. Ela nem titubeou, se levantou me avisando pra ficar ali que ela voltava já, e foi pro balcão pedir o pão. Recebeu, agradeceu e voltou pra mesa. Claro que eu estava atrás dela, até pra sinalizar pra moça da padaria que ela estava fazendo um pedido, pois ela não conseguia ver a Julia porque o balcão é quase da minha altura. Mas ela se entendeu com a moça e conseguiu o que queria.

Desde novembro que ela descobriu que poderia alcançar o gelágua e agora a diversão dela é encher o copo pra beber. Foi interessante a maneira como ela descobriu. Eu estava na cozinha lavando louça e ela chegou dizendo que iria beber água. Pegou o copo e colocou no gelágua mas, por mais que ficasse de ponta de pé e se esticasse, não alcançava pra apertar o botão da água. Eu fiquei só olhando, esperando ela pedir ajuda (porque procuro intervir o mínimo possível) mas ela não pediu. Só disse assim: "ah, já sei, vou pegar minha chinela." Saiu da cozinha e voltou calçada com as havaianas e aí sim, de ponta de pé, conseguiu alcançar o botão da água. Como ela raciocionou que se calçasse a chinela ficaria  mais alta e alcançaria eu não faço a menor idéia, porque confesso que na hora nem pensei nessa possibilidade para ela.

Mas acho facinante observar esse lado do desenvolvimento dela e como ela raciocina. Me encho de orgulho também e elogio bastante. Às vezes preciso me policiar pra não elogiar absolutamente tudo como se fosse algo inédito pois quero que ela seja uma pessoa equilibrada e não alguém que se acha acima de todos. Mas também quero que seja alguém que tem auto-estima elevada. Não sei se me fiz entender, mas é realmente um equilíbrio delicado o que pretendo alcançar. Resumindo, tenho que elogiar sim, mas na medida certa, inclusive porque ela tem que aprender a lidar com frustrações e também tem que aprender que tem limitações, para então buscar superá-las. Mas para ter força de superar as limitações, tem que ter auto-estima elevada e para isso o elogio aos pontos positivos ajuda bastante. Complicado? Muito! Mas nada na vida de mãe é fácil, né?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Nenhum comentário: