sábado, 19 de março de 2011

Minha Bailarina!

Acho que toda mãe de menina sonha com sua pequena bailarina! Comigo não é diferente, eu tinha, desde a gravidez, vontade de colocar a Julia no ballet, só tinha medo que ela não gostasse. Mas Julia ama dançar, desde pequenininha! Na verdade, meu sonho não é nem ter uma filha bailarina profissional. Isso só vai acontecer se ela quiser e muito. Mas queria que ela fizesse ballet porque trabalha postura, equilíbrio,  delicadeza, conhecimento corporal, disciplina, desperta pras artes.........

Ano passado algumas amiguinhas dela fizeram ballet, mas eu achava que ela ainda era muito novinha (ela é a mais nova da turma) e que se começasse muito cedo poderia perder o interesse porque o ballet exige disciplina. Para reforçar ainda mais o meu pensamento, uma colega  que tem duas filhas bailarinas, me aconselhou a não colocar antes dos 4 anos, exatamente por isso.

Mas esse ano não resisti e matriculei, na escola mesmo. No dia que comprei as roupas de ballet dela, foi uma festa! Ela vestiu e não queria mais tirar. Ficou lindaaaaaaaaaaaaaaa!


Entretanto, essa semana ouvi duas mães de amiguinhas dela conversando sobre o ballet e uma delas falava que não matriculou a filha porque achava que o ballet na escola era só recreação. A outra dizia que tinha matriculado em uma escola de dança e que era muito bom, a aula tinha 1h de duração e era bem sério. Até parei pra conversar sobre isso com o Claudio. Sinceramente acho que o ballet nessa idade deve ser bem lúdico mesmo, quase uma recreação e que a aula não deve ser muito extensa porque nessa idade elas se cansam facilmente e perdem logo o interesse. Eu já assisti a duas aulas da Julia e realmente é bem lúdico, mas a professora vai passando algumas noções de postura, equilíbrio. Vai ensinando como a bailarina se locomove no palco, mas tudo sem pressões. Eu fico toda orgulhosa porque a Julia faz direitinho, levando em conta as limitações da idade, é claro!

Fui ler um pouco mais sobre o assunto pra poder embasar meus argumentos. Encontrei no site do Espaço Dança um texto interessante da professora e coreógrafa Myriam Marques que diz o seguinte:


(...) A dança é uma forma de expressão, obedece critérios técnicos e pedagógicos, estimula o desenvolvimento da coordenação motora e o amadurecimento emocional. 

O aprendizado da dança é um processo lento, gradual e cumulativo. A aplicação dos seus critérios técnicos indispensáveis deve estar sincronizada com as condições biopsicológicas da criança também sob permanente transformação. Ela difere física e psicologicamente do adulto, e não é sua miniatura. 

Do ponto de vista físico, o processo inflamatório a que a criança está sujeita decorrente de práticas físicas, na essência, é idêntico ao do adulto. Mas ela se recupera com mais rapidez. 

Do ponto de vista psicológico, a criança também difere do adulto. A dança e a prática desportiva têm participação decisiva na sua socialização, no respeito às regras, no empenho para obter resultados positivos ("sucessos"), no desenvolvimento de sua capacidade para assimilar frustrações ("fracassos"), para conviver com as diferenças e outros benefícios. Solicitações exageradas de competição, pressão e ansiedade por parte dos pais projetadas numa criança, quando os "sucessos" obtidos apresentam-se abaixo dos esperados, provocam desgaste e conflito emocional na criança. Ela transfere esse sentimento desconfortável para a vida:..."se não sou bom nisso, não sirvo para nada". "Sucesso" e "fracasso" devem ser compreendidos com relatividade. A presença de ambos em excesso pode levar a criança a rejeitar ou abandonar a prática física seja por aversão, saturação, apatia ou indiferença. 

Observando estas orientações, o aprendizado da dança apresenta resultado eficiente quando a criança chega aos seis anos de idade. Nesta fase, ela adquire maior consciência corporal, distingue a parte direita da esquerda.

Na qualidade de professora, preparo crianças com quatro anos completos para o aprendizado do balé clássico. No início, elas passam por um processo de adaptação durante dois anos. Nesta fase, são trabalhadas as práticas lúdicas, lateralidade, musicalidade, coordenação motora, socialização e o emocional. O objetivo é criar as condições para que os sistemas muscular e nervoso possam absorver a formação no balé clássico. 

Dificuldades como inversão de letras apresentadas por crianças que começam a alfabetização são facilmente superadas quando, paralelamente, preparam-se para o balé. Também é freqüente as meninas entre 5 e 7 anos apresentarem lordose (curva acentuada na região lombar). A colocação da bacia conforme a técnica clássica, após anos de treinamento, reeduca a postura quando a criança atinge a faixa dos 13 aos 16 anos, via compensação da musculatura, trabalhando a noção correta do equilíbrio. (...)

Resumindo, a Julia nem deveria estar no ballet ainda, como já tinha me alertado minha colega. Mas como é tudo de forma muito lúdica, vou deixar.até porque ela está curtindo muito. Quando for a hora certa, vou colocá-la em uma escola de dança sim e vou ficar torcendo para que ela continue gostando do ballet para poder usufruir de todos os benefícios dele para o corpo e para a mente. Por enquanto vou deixá-la brincar de ser bailarina afinal, ela é apenas uma criança!
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