terça-feira, 28 de junho de 2011

Amigos???? Que amigos????

Ontem vinha no fim da tarde com a Julia no carro, voltando pra casa, quando ela começou a conversar. Eu não estava entendendo o que ela estava falando e perguntei o que era. "Não é com você, mamãe, eu estou conversando." E aí eu comecei a questionar:

- Conversando com quem?
- Com  meus amigos....
- Que amigos?
- O Artur e o Mateus.
- O Artur e o Mateus da sua turminha (da escola)?
- Não!
- Ah, é outro Artur e outro Mateus?
- É....
- De onde eles são?
- De bem longe.........
- Eles estudam na sua escola?
- Não.
- Qual o nome da escola deles?
- Natal

Daí por diante eu mudei de assunto........... Será que minha baixinha arranjou amigos imaginários???? Fui ler um pouco sobre o assunto e vi que além de normal (isso eu já sabia), é desejável que a criança tenha amigos imaginários.

Imagem retirada de: maringa.odiario.com

 No site da Super Interssante encontrei o seguinte:

Para os pais, flagrar o filho no meio de um "monólogo exterior" pode surpreender, mas os especialistas garantem: é normal, saudável e aconselhável. Inclusive, Roberto Andersen, educador brasileiro membro da Academia de Ciências de Nova York, adverte que limitar a imaginação (o que inclui dizer "acabou esse tal de amigo imaginário!") é um incentivo ao déficit de atenção, déficit de cognição e memória parcial. Se você achou a opinião de Roberto muito radical, saiba que Freud, pai da psicanálise, e Piaget, papa da pedagogia, também defendiam que, por via das dúvidas, era melhor que o companheiro invisível participasse do jantar.

Tanto amigos particulares quanto aqueles mais coletivos, como Papai Noel, Coelho da Páscoa e vampiros, ajudam no desenvolvimento mental. Essa fantasia ajuda a capacidade de abstração, o que vai trazer benefícios em futuros boletins. Uma pessoa condicionada a acreditar somente no que enxerga sente mais dificuldade para entender o que é um átomo ou uma raiz quadrada, por exemplo.


Além de defender que 2 entre 3 crianças têm amizades imaginárias, Marjorie Taylor sugere que, por confrontarem constantemente suas opiniões com a do
amigo, sacam mais cedo que as outras pessoas têm crenças, desejos e intenções próprias. Outros cientistas descobriram que crianças de 4 a 8 anos que têm amigos imaginários produzem frases mais complexas do que as que não têm.

No O Globo encontrei algumas observações sobre como lidar com o assunto:

O que fazer
- Os pais podem participar da brincadeira, quando forem solicitados. Procure tratar com naturalidade e seriedade essa manifestação da brincadeira infantil, respeitando o espaço dado pela criança para que outros a compartilhem.
- Fique atenta à natureza dos conteúdos explicitados pela criança nas conversas com seu amigo imaginário. É uma forma de identificar sentimentos importantes e, dessa maneira, compreendê-la e ajudá-la.
- Caso seu filho a coloque na "conversa", aproveite para perguntar ao amigo imaginário sobre o que ele gosta, não gosta, se tem medo de alguma coisa. É muito provável que seu filho responda no lugar dele, dando chances a você de entender melhor como ele se sente.
- E atenção: Não deixe seus filhos mais velhos ou algum parente ridicularizarem a brincadeira, na frente da criança.
- A situação é considerada preocupante quando o coleguinha invisível passa a criar algum problema na família ou sofrimento real para a criança. E se continuar quando seu filho já estiver maior. Segundo Elizabeth Perez, "esse tipo de brincadeira se estende por um tempo, até que já não faz mais o mesmo sentido, por volta dos 6, 7 anos, e a criança pode utilizar-se de outros recursos e formas de manisfestar-se". Em caso de dúvida, converse com o pediatra e com um profissional especializado, como o psicólogo. 

Dicas importante
- Nunca "converse" com o coleguinha invisível sem seu filho tê-la chamado à conversa. Aceite a fantasia, mas não a estimule.
- Nada de usar o amigo imaginário para fazer barganhas ou como apoio para conseguir alguma coisa de seu filho, como dormir na hora certa, comer tudinho, lavar os dentes e outras atividades que ele normalmente cria dificuldades para fazer. 

É hora de procurar ajuda quando...
- Seu filho, mesmo estando em grupo, no colégio, na pracinha ou no clube, continuar brincando sozinho, ou melhor, com o amigo imaginário. Ou seja, quando a brincadeira começa a ocupar intensamente o imaginário da criança, não dando lugar para o estabelecimento de outras atividades, brincadeiras e relações interpessoais.
- O amigo imaginário começa a assumir proporções fantasmáticas, invertendo sua posição no imaginário da criança, passando a amedrontá-la e controlá-la, trazendo sofrimento para ela e sua família.
- A criança achar que tem os mesmos superpoderes do amigo imaginário e se colocar em situações de risco real.
- Ela maltratar outras crianças e animais domésticos, colocando a culpa no personagem do faz-de-conta.

Bem-vindos Artur e Mateus! 
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2 comentários:

Luana Vieira disse...

Adorei o post Silvia!

Syl disse...

Obrigada, Luana!