segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O Infantil 4!

O Infantil 4 foi um verdadeiro desafio aqui em casa, não só pra Julia, mas principalmente pra mim. Ela mudou de escola e tivemos que nos adaptar às diferenças entre o que estávamos acostumadas e as regras da nova escola.

De cara já digo que algumas regras da nova escola eu não concordo (como a rigidez no horário de entrada - vi acontecer com criança de 02 anos) mas acho que a partir do momento que eu optei por colocar minha filha lá, tenho que seguir as regras. Posso (e devo) questioná-las, mas tenho que seguí-las.

Em seguida, senti diferença no acesso à professora. Não sei definir bem se isso foi um problema específico da professora dela ou é generalizado em toda a escola até porque essa avaliação do acesso à professora é subjetivo (uma mãe que quase não precise ou não queira ter acesso, não vai se queixar nunca). Sei que a professora dela, embora no início do ano tenha me dado a impressão de ser muito querida pelos ex-alunos, também me passou a sensação de ser um pouco mais rígida que o quê eu espero de uma professora de educação infantil.

O ano começou e Julia recebia elogios em geral e a professora me sinalizou a questão do comportamento dela quando contrariada (a bichinha é valente). Esse é um calo que já trago desde o Infantil 2 e que venho trabalhando (parece que agora está dando resultado). Mas nesse segundo semestre, a professora começou a me sinalizar que a Julia precisava trabalhar mais a leitura e a escrita. Sim, A LEITURA E A ESCRITA! E sim, ELA SÓ TEM 4 ANOS! Eu cheguei a perguntar mais de uma vez à professora se ela tinha nível pra passar para o Infantil 5, tamanha cobrança que senti.

O nível dela é o seguinte: nas atividades de escrita espontânea, ela muitas vezes coloca no meio das palavras letras que não pertencem a palavra. Algumas vezes faz letras espelhadas (mas se perguntar se está certa, ela corrige na hora). No geral, escreve mais ou menos certinho (troca algumas letrinhas, nada mais natural). A leitura está começando a se desenvolver, mas segundo a professora, tem criança lendo com fluência na sala dela.


Eu fui me sentindo péssima com isso tudo, com essa cobrança. Porque sou eu quem acompanha todas as tarefas da Julia. Se algo não estava bem, era sinal que eu não estava sabendo conduzir. E isso foi me estressando e eu fui (ó céus, como eu fui burra!) cobrando mais da Julia e, consequentemente, estressando-a. Sim, porque, eu estou longe de ser uma pessoa zen, eu sou toda trabalhada no stress e na agonia. E quanto mais eu cobrava, mais ela se estressava e mais dificuldade tinha. Aí eu me estressava ainda mais e depois ainda me cobria de culpa. Inferno, né?

E aí que as férias foram chegando e as tarefas de casa acabaram (na última semana não tivemos mais tarefas) e eu vi que a leitura e a escrita foram fluindo mais naturalmente, sem pressões. Por coincidência, ainda tive uma longa conversa com mães de duas amiguinhas dela que me relataram algum tipo de problema semelhante. E eu fui concluindo que provavelmente a atitude da professora tinha muita relação com isso. Primeiro que comparar uma criança com outra não se faz, né? O correto é comparar a criança com ela mesma, pra ver seu desenvolvimento. Depois que numa mesma sala, temos crianças com quase 1 ano de diferença de idade (na sala dela temos um caso de 11 meses de diferença) e nessa idade isso é muito relevante.

Na festinha de encerramento do ano letivo, todas as turmas fizeram exposição dos projetos trabalhados em sala e olhando os trabalhos dos amiguinhos da sala dela e de outras salas, pude ver que o nível é mais ou menos o mesmo. E fui concluindo que essa pressão toda é desnecessária, só prejudica ao invés de ajudar.

Julia agora, quando quer, pega seus livrinhos (de frases curtas, bem adequados para as primeiras leituras) e lê. Eu fico observando, ajudo quando ela precisa e acho que o resultado final é muito positivo. E esse fim de semana, vi minha sobrinha lendo. Ela é 1 ano e 9 meses mais velha que a Julia e acabou de concluir o Infantil 5 em uma escola top da cidade. O nível de dificuldade que ela tem é semelhante. Ela lê um pouco mais fluente, mas tem 1 ano a mais de aprendizado.

Minha conclusão no atual momento é que vou ficar de olho. A professora vai mudar e quero observar melhor pra separar o que era cobrança exagerada da professora e o que era cobrança exagerada da escola. Ficar de olho e acompanhar a Julia de perto, acho que é a melhor opção. E estar aberta a possibilidade de mudanças, caso as coisas não saiam a contento! Agora é esperar pelo Infantil 5!
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4 comentários:

Denisy Prado disse...

Então eles queriam que ela já estivesse lendo, é isso ? Nossa,que escola é essa, me diz por favor?
O que eu acho é que é muita cobrança pra uma criança...todos vão aprender
a ler, cada um a seu tempo e acho que essa pressão pra criança não é saudável!

Nadja Karan disse...

Tô passada!! Não sabia dessa cobrança da professora. Criança começar a ler aos 4 anos é demais!! Muita cobrança messsmo! Gostei do post. E a culpa sempre existem dos "marinheiros de primeira viagem" né? Normal!!bjoo

Cristiane disse...

Nossa o Bruno está no alfabeto... Me poupe!! cris

Myriam Scotti disse...

Que situação, Syl! Eu também não sou nada zen e acho que teria tido a mesma atitude! Que bom que vc descobriu que tava tudo bem conversando com outras mães. Acho muito válida troca de experiência. Quanto a comparações entre alunos, não nada bom! Baixa a auto-estima da criança que acaba se sentindo inferior aos outros colegas...a professora tem que rever essa psicologia aí, não?