quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Preconceito e Discriminação

Eu não acompanho novelas atuais (só as antigas pelo Viva, quando dá), mas não fico imune às propagandas e aos comentários em todo canto então acabo sabendo mais ou menos o que se passa nas tramas (e acabo assistindo a última semana e entendendo a novela inteirinha). Salve Jorge eu também não acompanho mas sempre vejo comentários por aí.

Aí essa semana o Vídeo Show mostrou a cena em que a mãe do Theo (que é feito pelo Rodrigo Lombardi) e a mãe da Morena se conhecem. Elas estão conversando e a mãe do rapaz, após contar que o marido também era militar como o filho, pergunta o que o pai da futura nora fazia. A mãe dela então rasga e diz que ele era um traste e que não sabe o que ele faz da vida hoje, se está preso, se morreu e tal....

Obviamente a mãe do galã faz uma cara meio de espanto, meio de crítica....... agora atire a primeira pedra aquela mãe que não faria! Porque, vamos combinar, você cria seu filho com todo amor e carinho, com todo o sacrifício que a tarefa exige e vê que ele vai se casar com uma moça que ele mal conhece e que tem uma família desestruturada, que o pai era um criminoso, que a mãe dela foi mãe solteira na adolescência e ela também. Você receberia a notícia fazendo festa??? Eu não! Quem quiser me chame de preconceituosa e aguarde pra morder a língua no futuro mas eu penso assim mesmo. #prontofalei

Vou me explicar melhor, começando pela palavra preconceito: ao pé da letra o preconceito é o conceito que a gente faz da pessoa, baseado em nossas experiências prévias, antes de ter dados suficientes (conhecer) pra avaliar com clareza e imparcialidade. E isso todo mundo faz! É instintivo, é até um mecanismo de autodefesa. Ou vai me dizer que se você vem numa rua deserta à noite e em sua direção vem um rapaz mal encarado você não muda de calçada? Pois isso é o preconceito: com suas vivências prévias, você assume que existe um alto risco de ser assaltada por um rapaz mal encarado numa rua deserta à noite.

Mas precisamos diferenciar o preconceito da discriminação. Essa sim é muito, muito ruim. A discriminação é quando a gente não tem respeito ou empatia por alguém e considera essa pessoa inferior por ser diferente da gente em algum aspecto. Aí pode ser pela opção sexual diferente, pela raça diferente, pela religião diferente, porque a pessoa é gorda, porque a pessoa é magra......... ihhhhhhh, tem discriminação demais no mundo!

Mas como os dois conceitos (preconceito e discrimação) se confundem, eu vivia dizendo que eu jamais seria "preconceituosa" como a mãe do galã da novela. E dizia isso exatamente porque minha mãe tinha esse tipo de pensamento e eu achava o fim (oh, adolescência!). Foi a Julia nascer e eu me vi com os mesmos pensamentos da minha mãe, até conversei sobre isso com o Claudio.

Não estou dizendo que a moça (ou qualquer pessoa real que viva a mesma situação) não presta porque nasceu nessa família desestruturada. Não estou dizendo que ela não presta porque foi mãe solteira e muito menos que ela não presta porque o pai é um marginal ou porque ela mora na favela. Apenas estou dizendo que a reação da mãe do noivo foi muito natural e que eu teria a mesmíssima reação. Teria porque a gente quer poupar os filhos de problemas, de desilusões e porque a gente sabe que uma pessoa que não cresceu num ambiente saudável do ponto de vista afetivo tem tudo para ter problemas. Ah, mas pais casados não necessariamente fornecem um ambitente afetivamente saudável para os filhos. Sim, é verdade. Mas o fato dos pais serem casados (mas casados de corpo e alma, com respeito, amor, enfim, o pacote todinho de um casamento equilibrado), terem trabalhos/empregos/carreiras tradicionais, ou melhor dizendo, legais, são alguns indícios de uma família estruturada. Por outro lado, uma pessoa que cresceu na condição que a personagem da novela "cresceu" tem maiores probabilidades de ter problemas emocionais mais à frente. Embora (e eu faço questão de frisar pra não ser mal interpretada), uma mãe solteira possa perfeitamente prover um ambiente muito mais equilibrado do ponto de vista emocional que muitos pais casados. É apenas uma questão de se analisar as probabilidades (avaliar com base nas experiências prévias).

Imagem retirada de:
pauloliberalesso.wordpress.com

No fundo, no fundo, acho que o que vale mesmo é conhecer a pessoa de perto, sabe? Pra não ter discriminação. Porque preconceito sempre existe (e nem sempre é ruim), mas se a gente der uma chance de conhecer a pessoa, fica mais fácil acolher e não discriminar e se aproximar mais ou se afastar por questões de afinidades e não de discriminação. Mas fazer de conta que a situação da novela é normal e que a mãe do galã é que é a errada porque teve uma reação preconceituosa é politicamente correto demais pro meu gosto, ou melhor, é hipocrisia demais pro meu gosto! E eu continuo com meus preconceitos, mas sempre combatendo minhas discriminações e abominando a hipocrisia do politicamente correto!
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4 comentários:

Myriam Scotti disse...

Syl, não vi a cena também. Mas, pelo que você descreveu, eu também achei bem natural a reação da mãe...eu, pelo menos, teria essa reação, sem qualquer dúvida...é claro que posso me abrir ou não para dar chance a essa pessoa e aí já são outros 500, mas, à primeira vista, o preconceito é natural sim! Seria hipocrisia dizer que ao ouvir a história de vida da moça iríamos estar com o sorriso aberto...Bjs pra vc!

ságna ribriro disse...

gostei da sinceridade....acho que eu também se fosse a mãe não ia querer que meu filho cassasse com ela, não pelas condições financeiras, mas pelos problemas que viriam, acho que essa moça é chave de cadeia

Raquel disse...

Pois é Syl... Que atire a primeira pedra quem nunca agiu ou nunca agiria dessa forma. Certas coisas a gnt só entende depois que se torna mãe. Bjo

Cristiane disse...

Pois é... As vezes há um exagero outros momentos já passamos por coisas assim e temos e estar atentas. Cris