quarta-feira, 17 de abril de 2013

Preguiça de educar...

Se tem uma coisa que me deixa indignada é mãe e/ou pai com preguiça de educar! Educar é não só obrigação, como um ato de amor pelo filho, para que ele possa se adaptar à vida em sociedade e aprender que o mundo não gira em torno de seu umbigo sem precisar levar muita pancada da vida.

Às vezes me questiono se não estou deixando passar algumas coisas que não deveria deixar ou se não estou sendo dura demais com a Julia. Mas aí, conversando com o pai de uma amiga dela, ele disse uma coisa muito interessante que me fez refletir (e me fez perceber que provavelmente estou acertando). Ele falou que nossos filhos vão fazer sim coisas que não devem, vão transgredir nossas regras e que às vezes nós vamos sim fazer vista grossa (claro que dependendo de que regras estão transgredindo). Isso é até bom para o desenvolvimento deles. E é mesmo! Porque na hora em que transgridem e assumem as consequências disso, os filhos crescem! Agora cabe aos pais ficar de olho, orientar sempre que preciso e "selecionar" as situações para fazer vista grossa.

Mas, certas "vistas grossas" eu não tolero, fico indignada mesmo. Essa semana, por exemplo, Julia, foi para o ballet levando bolinha de sabão. Ela ama bolinha de sabão! Chegamos lá um pouco mais cedo e ela começou a brincar. Outras crianças que chegaram em seguida quiseram brincar também e Julia emprestou a bolinha de sabão pra elas de bom grado, sem que eu precisasse intervir. Uma dessas crianças era uma menininha de uns 2 anos que se apossou da bolinha de sabão e não deixava mais ninguém brincar, nem devolvia pra Julia. Até aí tudo bem, é um comportamento normal para uma criança de 2 anos. O problema é que a Julia queria mesmo brincar e começou a pedir pra menininha. Pediu uma vez, pediu duas e eu de longe observando. A mãe da menina disse: "minha filha, devolva, a bolinha de sabão, é dela" e baixou a cabeça mexendo no iphone. 

A menininha simplesmente ignorou o que a mãe falou (ainda totalmente compreensível pela idade da criança) e a Julia continuou pedindo. Olhei pra mãe da criança e ela, apesar de estar há apenas dois passos de distâncias das duas meninas, continuava "concentrada" no iphone. Julia olhou pra mim pedindo socorro e eu disse: "Julia, peça que ela lhe devolve." Julia pediu e a menina não devolveu. Julia olhou novamente pra mim e toda a cena anterior se repetiu algumas vezes e a cada vez eu falava mais alto (na esperança da mãe tomar alguma atitude) pra Julia pedir que a menina devolveria e a menina não devolvia e a mãe continuava fazendo de conta que não estava percebendo nada que acontecia ao lado dela. A Julia poderia facilmente ter tomado a bolinha de sabão da mão da menininha já que é bem maior que ela. Se fosse uma criança agressiva, com certeza teria batido nela, mas isso não é do feitio dela (nem é a orientação que recebe em casa).

Eu então me levantei e fui até a menina. Me abaixei e falei: "dá pra tia a bolinha de sabão que eu vou guardar porque a aula já vai começar" e tirei da mão dela. Errei, deveria ter dito "dá aqui pra tia a bolinha de sabão que a dona quer brincar com ela também", mas fiquei com medo da menininha aprontar um escândalo e se a mãe viesse falar alguma coisa, provavelmente eu não controlaria a língua. Acabei guardando mesmo a bolinha de sabão porque as aulas estavam começando. Passei o resto da tarde muito chateada, acho que de certa forma me acovardei e que deveria ter sido pelo menos irônica com a mãe, que perdeu uma ótima oportunidade de orientar a filha. 

Mas de fato educar dá trabalho e não é pra qualquer um. Me lembro de uma vez que Julia estava nos bastidores do festival, aguardando pra fazer maquiagem e uma amiguinha que estava com ela, começou a bater a cabeça da Julia num armário. Eu falei alto pras duas ouvirem que parassem com a brincadeira que aquilo iria machucar. A menina continuou e eu falei novamente. Na terceira vez, chamei a Julia pra vir ficar ao meu lado esperando sua vez na maquiagem. A mãe da menina, que estava ao meu lado, olhou boquiaberta pra mim quando viu a Julia vindo ficar comigo e soltou a pérola: "nossa, ela te obedece, né?" Eu disse: "claro, ela sabe que quando eu falo é pra obedecer, afinal eu sou a mãe dela." Essa aí passou um atestado de total incompetência para educar, né?

Lamento muito por minhas filhas que vão ter que conviver durante a vida com pessoas mal educadas, arrogantes e egocêntricas, vítimas da preguiça dos pais em educar. No que depender de mim, minhas meninas não serão assim, aprenderão dentro de casa que para se viver em sociedade é necessário saber dividir e saber ceder porque afinal o mundo não gira ao redor do umbigo de ninguém. Eu só ainda não consegui decidir como orientá-las a se defenderem de pessoas que não tiveram a mesma oportunidade em casa, mas uma coisa eu tenho como certa: não vou deixar que elas sejam "feitas de besta".


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Um comentário:

Cristiane disse...

Olá querida!!! Tbm tenho preguiça de educar... nossa como é... Olha o Bruno está amando ter uma irmazinha!! Bjo da Cris