terça-feira, 23 de julho de 2013

O Nascimento da Alice - relato do parto

Já contei aqui que foi de repente. Mas para contar como foi o nascimento da Alice, preciso voltar a quando descobri a gravidez. Nós estávamos na Disney, segundo dia de viagem, quando percebi que minha menstruação estava atrasada. Fiz o teste de farmácia e deu positivo. Juntamente com a alegria da descoberta que mais um bebê estava a caminho, ficamos também apreensivos: eu já tinha tido um aborto espontâneo antes da gravidez da Julia, era hipertensa e não teria como ir ao médico nas próximas duas semanas.

Minhas primeiras providências foram suspender o remédio da hipertensão que eu usava, pois não era indicado para gestantes (e minha pressão estava bem comportada), e pedir à minha cunhada que marcasse uma consulta com meu obstetra. Como era dezembro e ele sempre tira uns dias de férias no fim do ano, eu já estava prevendo que não seria fácil conseguir vaga e disse a ela que se fosse preciso poderia marcar particular. Ela marcou para a terça feira antes do Natal (nós chegamos na sexta anterior à noite). No dia da consulta a secretária dele ligou e disse que ele não atenderia naquele dia pois teve um problema e pediu que eu fosse no dia seguinte no mesmo horário. No dia seguinte, a secretária me ligou novamente e informou que uma paciente entrou em trabalho de parto e ele cancelou todas as consultas... e viajaria na madrugada seguinte, portanto minha consulta ficaria para janeiro. Pirei, né?

Fui atrás de indicações de outros médicos e consegui marcar com um muito conhecido aqui e que foi muito bem indicado por duas amigas que fizeram mais de um pré-natal com ele. Fui para a consulta ainda antes do Natal e confesso que minha empatia não foi imediata (e nem a do Claudio) mas como ele foi muito bem recomendado, decidi ficar com ele mesmo. Além disso, meu antigo obstetra é uma pessoa carismática então eu achava que estava comparando demais os dois e estava sendo injusta com o novo.

O tempo foi passando e a empatia não aumentava. Eu não curtia o meu pré-natal da mesma forma que curti o da Julia mas só me dei conta disso depois. A gravidez da Alice foi completamente diferente da gravidez da Julia: eu me sentia mais cansada, tinha enjoado muito mas, em compensação, tinha engordado menos e minha pressão (que foi minha grande preocupação desde o início) estava bem controlada com medicamento. 

Na consulta de 31 semanas (7 meses), minha pressão estava 11x7 e o médico afirmou que estava tudo bem, que o cansaço era coisa do fim de gravidez mesmo e que "se sua pressão não subiu até agora, não sobe mais não". Fiquei intrigada porque ele não pediu ultrassom para avaliar o crescimento da Alice. Quando cheguei em casa, fui pegar a pasta do pré-natal da Julia e comparar e vi que a diferença de acompanhamento entre os dois estava absurda. Claudio chegou em casa e me encontrou aos prantos, com medo que alguma coisa estivesse errada com a Alice. Conversou comigo, me acalmou e decidimos voltar ao meu antigo obstetra. Consegui marcar consulta para a semana seguinte (ele deixou de atender convênios nesse meio tempo então foi bem mais fácil conseguir).

Com 32 semanas de gestação então, cheguei no meu antigo obstetra. Ele analisou os exames que eu tinha, viu meu histórico anterior e perguntou logo da minha pressão. Eu toda feliz disse que estava ótima e quando ele mediu, a surpresa: minha pressão estava 17x11. Eu não acreditava! Eu não estava sentindo nada que não estivesse sentindo desde o começo da gravidez, nem dor de cabeça. Ele fez um ultrassom no consultório que acusou que Alice estava no percentil 10 de peso para a idade gestacional. Eu fiquei em choque. Não conseguia nem chorar, um monte de coisas passando na minha cabeça, inclusive a culpa de não ter mudado de obstetra depois da primeira consulta com o outro. 

O médico então disse que iria fazer meu acompanhamento de perto, duas vezes por semana. Fui para casa com a recomendação de ficar acompanhando a pressão e com a dosagem do remédio dobrada. A consulta foi numa quinta-feira e no domingo tivemos que acioná-lo pois minha pressão estava 18x11 e eu não sentia absolutamente nenhum mal estar. Ele então nos orientou a ir para a maternidade para me internar. Lá ele prescreveu vários medicamentos para baixar a pressão e também o corticóide para amadurecer os pulmões da Alice. Chegou a considerar fazer o parto na segunda-feira a noite até porque eu estava com muita dor de cabeça. Mas resolveu observar mais um pouco já que eu falei que a dor era típica de enxaqueca (e eu tinha suspendido a cafeína de uma vez quando fui internada e também não conseguia dormir no hospital). Na terça-feira minha pressão baixou mais um pouco e eu pude ter alta, mas em repouso absoluto e com mais medicação para controlar a pressão. 

Minha alegria de estar em casa e levar a gestação a termo durou 1 dia e meio: na madrugada de quarta para quinta-feira a pressão voltou a subir e ficou alta o dia inteiro até chegar a 19x11. Meu médico orientou que eu fosse internada novamente ainda aquela noite. Não havia vaga na maternidade que eu queria (onde a Julia nasceu e onde eu estivera internada) então fomos para outra. Conseguimos o último apartamento (graças a Deus) e ele marcou o parto para o dia seguinte às 06:00 da manhã. Eu nunca passei uma noite tão terrível na minha vida. A pressão ficou alta a noite toda, foram pegar um acesso venoso para a medicação justo na veia que havia sido usada na internação anterior e que estava com uma flebite, então eu urrava de dor quando tentavam injetar alguma coisa e quase não conseguem pegar outra veia. Acho que devido ao stress ainda tive umas contrações dolorosas. Comecei a ter dor de cabeça, daquelas insuportáveis e passei a noite inteira olhando para o relógio para ver se chegava a hora do parto para meu sofrimento acabar. 

O parto em si foi relativamente tranquilo (pelo menos até onde eu sei), de fato meu obstetra é muito competente. Claudio estava muito nervoso, mal conseguiu fotografar, mas Alice nasceu super bem, chorando forte, com APGAR 9/10. Eu fiquei em choque quando a pediatra a trouxe para mim. Era muito pequena, meu Deus! Nasceu com 1,655kg e 44 cm. Ela foi para a UTINEO e eu para o apartamento depois que a cirurgia terminou. 

Conhecendo minha princesinha e chocada com o tamanho dela!

O dia foi passando e nem a dor de cabeça cedia (apesar dos medicamentos para dor que eu estava tomando) e nem a pressão baixava. Eu estava ansiosa para ver a Alice e tinha medo que o Claudio estivesse escondendo algo de mim. O anestesista tinha me dito que eu poderia levantar às 16:00 e quando chegou a hora eu insisti para ir até a UTINEO. As auxiliares de enfermagem não queriam que eu fosse porque minha pressão ainda estava alta. Eu ainda me sentia muito mal mas disse que iria nem que fosse me arrastando. Me levaram numa cadeira de rodas e eu pude ver e tocar na minha fofolete pelas portinhas da encubadora. Como era doloroso não poder pegar meu bebê no colo... Mas todos me garantiam que ela estava muito bem, que precisava ficar para ganhar peso.

Quando voltei da UTINEO meu mal estar aumentou e minha pressão chegou a 20x12. Me levaram para a UTI imediatamente. Eu não dava conta de muita coisa ao meu redor mas percebia a preocupação nos olhos do Claudio. Ele conseguiu um amigo cardiologista para acompanhar meu caso e eu nunca me vi tão cercada de médicos... No dia seguinte minha pressão baixou um pouco e pude voltar para o apartamento na hora do almoço. Ainda fiquei mais 3 dias no hospital. Alice ficou 19 dias. Graças à Deus e à intervenção precisa dos médicos nós duas estamos vivas e bem. Meu caso foi pré-eclâmpsia, mas a proteinúria só apareceu alguns dias após o parto. Na verdade, a pré-eclâmpsia pode se manifestar até 40 dias após o parto. Depois de uns 10 dias a pressão começou a baixar e a dosagem dos medicamentos já foi diminuída. 

De tudo isso eu tiro a lição que "instinto materno" não falha. Se eu não tivesse ficado cismada com o pré-natal e não tivesse feito a comparação, poderia ter morrido (e a Alice também) porque minha pressão ficou muito alta sem que eu nada sentisse. Na verdade, o tal do "instinto materno" era Deus sussurrando ao meu ouvido que eu deveria mudar de médico. E pra mim isso foi um milagre na minha vida.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Um comentário:

Nina disse...

Graças a Deus, deu tudo certo com vcs duas.

O que me mata de raiva...é que vem umas xitas ridículas, defensoras de parto pré-histórico, falar um monte de merda em relação a cesariana.
Vc e sua filha eram pra ter morrido então, né ??!! Pois se vc não tem condições de ter seu filho através de um parto vaginal, que morra então, porque não ha nada pior no mundo, do que uma cesárea.
Que absurdo !

Que seu relato de parto sirva de lição, pra essa tamanha falta de louça pra lavar, que certas 'mães' tem.

Uma beijoka no coração e te desejo tudo de melhor em sua vida, com as suas princesas, seja muito feliz e realizada !

Nina
Rio de Janeiro - RJ