quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A autonomia que (não) damos a nossos filhos

Venho refletindo sobre a autonomia que dou à Julia...

Julia está crescendo e é maravilhoso e ao mesmo tempo doloroso acompanhar esse processo. É fantástico ver seu desenvolvimento e observar as mudanças através do tempo, ver aquela bebezinha se transformando em uma menina responsável e que tem uma percepção própria (por vezes fantasiosa - típico da idade) de mundo. Ao mesmo tempo, tenho aquela sensação de "onde está meu bebê?" e quero que ela não cresça nunca, que fique sempre debaixo da minha asa...

Mas ela adora crescer! É um Peter Pan às avessas, sempre foi! É da natureza dela conquistar autonomia. Foi dela a iniciativa pra tirar a chupeta, foi dela a iniciativa para o desfralde noturno... Antes mesmo que eu tivesse a coragem e a necessidade de deixá-la na porta do colégio e não mais entregá-la na mão da professora, ela já ansiava por esse "grito de liberdade".

E aí que a necessidade faz o homem (nesse caso, a mãe) e com o nascimento da Alice, eu tive que me adaptar e entender que a liberdade que a Julia queria era importante pra ela e cômodo pra mim. Sim, cômodo! Assumo, muito cômodo! Quer coisa melhor que saber que ela toma banho e se arruma sozinha de manhã enquanto eu me ocupo de arrumar a Alice pro colégio? E isso é só um exemplo, mas um exemplo que nos dá uns 20 minutos a mais de sono. É fantástico!!!!

Esse ano ela começou o inglês. É no colégio dela, mas no prédio em frente. Quando as aulas regulares dela terminam, duas moças do curso de inglês vêm até o prédio em que ela estuda e levam as crianças que fazem inglês para o outro prédio. Atravessam a rua na faixa, tem um rapaz que orienta o trânsito e pára os carros para essa travessia, tudo de forma bem segura. No primeiro dia, como era novidade pra ela, eu cheguei antes da hora da travessia. Orientei como ela deve proceder todos os dias e alertei que ela ficasse atenta e não se desgarrasse do grupo. A babá de uma amiguinha dela então, muito solícita, me falou que eu ficasse despreocupada que ela estaria todos os dias nesse momento e ficaria atenta também para não deixar a Julia se desgarrar. Obviamente fiquei feliz com esse cuidado, mas depois fiquei me perguntando que geração é essa que estamos criando que, aos 7 anos de idade, alguém tem que ficar de olho, de perto, orientando cada passo de forma personalizada. Que geração é essa que é incapaz de se cuidar minimamente? É a geração que não anda a pé, é a geração que não brinca na rua e é a geração que tem que ter alguém pajeando o tempo todo porque é incapaz de tomar decisões por conta própria. Vejo crianças da idade dela ou até maiores acompanhadas eternamente por babás. Vejo mães que saem com seus filhos maiores de 5 anos, acompanhadas por babás (às vezes uma por criança). Quando essa crianças terão oportunidade de crescer? Quando aprenderão a cuidar de si mesmas? Ou será que eu estou sendo irresponsável e dando à Julia mais autonomia do que a idade permite?

Ela já fica só na dança e, se a aula termina e eu não estou, fica tranquilamente me esperando. No colégio da mesma forma. A única recomendação que dou é que ela não pode sair com ninguém, mesmo conhecido. E ela obedece. Sei também que nesses locais existem profissionais responsáveis e atentos na portaria, o que me tranquiliza. 

Aos poucos vou dando autonomia, vou soltando. Filho é pro mundo e, esteja ele preparado ou não, uma hora terá que sair da barra da saia da mãe (ou da babá). Prefiro que as minhas estejam preparadas...
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