quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Filhas diferentes, mães diferentes.

Minhas filhas são diferentes. São parecidas fisicamente mas mostram traços de personalidade diferentes.

Julia é uma criança extremamente dócil, amorosa e sociável. Sempre foi bastante extrovertida, nunca deu trabalho pra ficar na escola. Desde a primeira festinha na escola, nunca chorou no palco, ao contrário, dançava alegremente. Adora fazer novas amizades, tem uma facilidade incrível de se relacionar com crianças, adultos e idosos.

Alice não é uma criança dócil à primeira vista. É desconfiada, não tem o sorriso fácil da irmã. Observadora como ela só, não faz amizade rapidamente. Nas festinhas da escola, fica no palco parada, nem chora, nem dança. É extremamente grudada em mim, a ponto de me deixar exasperada às vezes. Mas não é uma criança insegura. Está super bem adaptada na escola, adora as professoras e os amigos e vibra na hora de ir pra lá. Entretanto, alguns dias, na hora que chega, tenho que me demorar dois minutinhos até ela se ambientar.

Julia é obediente. Claro que em alguns momentos desobedece, demora a fazer o que peço.... normal da idade. Alice me desafia o tempo todo. Faz o que eu acabei de dizer que não podia fazer, me olhando nos olhos e rindo. Sei que a idade tem relação com isso, mas a Julia na mesma idade não me desafiava dessa forma.

Eu sou uma mãe diferente pra cada uma delas. A diferença se explica não só pela personalidade de cada uma, mas pela minha experiência de vida também. 

Julia foi minha primeira filha, antes dela tive um aborto espontâneo depois de 1 ano tentando engravidar sem sucesso. Foi superprotegida em alguns aspectos. Foi tolhida no direito de correr e pular. Chegou a quase 7 anos sem saber dar cambalhota ou fazer estrelinha (está correndo atrás do prejuízo na ginástica artística). Nunca riscou uma parede em casa, nunca meteu um dedo na tomada.

Alice foi minha segunda filha. Engravidei no segundo mês de tentativas e, embora ela tenha sido prematura e tenha recebido alguns cuidados especiais no início, depois de um tempo ela passou a ter algumas experiências mais cedo que a Julia. Desde muito pequena começou a frequentar cinema, teatro, circo, museu. Aprendeu a dormir no barulho e a comer com carro/trem/avião em movimento. Nunca tomou banho com água fervida, e eu passei a não me estressar com chupeta que cai no chão foi cedo. Alice tem muito mais liberdade de correr e pular. Já tentou dar cambalhota no chão de cimento pra imitar a irmã e se machucou. Eu só faço rir. Não corro pra acudir assim que cai, espero ela me solicitar (isso raramente acontece). Sobe sozinha na cadeira de refeição (Julia nunca teve esse direito) e come sozinha, fazendo lambança (Julia até sabia comer sozinha, mas para evitar a lambança, eu dava na boca dela e ela aceitava). Já riscou parede, roupa de cama, toalha de mesa, livros da Julia. Tenta tirar todos os protetores de tomada, já tentou ligar o aparelho de aerosol na tomada.

Eu tenho menos paciência pra birra e menos energia pra brincar, estou 5 anos mais velha. Alice então começou a receber carão mais cedo. Em compensação, vejo uma luz no fim do túnel quando estamos numa crise de birra. Também já entendi que é importante ela aprender a brincar só, sem ter um adulto estimulando o tempo todo ou dizendo o que ela deve fazer. Comparo menos a Alice com os amiguinhos e fiquei bem menos ansiosa pra esperar ela começar a andar ou falar (ainda bem porque ela demorou pra caramba pra andar). Onde ando escuto elogios ao comportamento da Julia. Também escuto comentários de como a Alice é uma pimentinha.

Mas essas diferenças entre elas é que fazem a graça da história toda. Essas diferenças trazem o gostoso desafio diário de saber como lidar com cada uma. E me fazem ser duas mães ao mesmo tempo: a mãe da Julia e a mãe da Alice. Tem coisa melhor?





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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Minha amiga tem câncer...

Minha amiga tem câncer. 

Isso foi um tapa na minha cara.

Saindo do hospital (tinha ido visitar minha tia que se recupera bem após o terceiro infarto), encontrei uma querida amiga dos tempos de colégio. Encontro com ela vez por outra, ela sempre sorridente e de bem com a vida. Mas quando dei de cara com ela, ela chorava ao telefone... Que aflição.... Esperei ela encerrar a ligação pra saber o que estava havendo e ela me disse que tinha descoberto um câncer metastático. Não sabia ainda nem a origem dele....

Uma moça da minha idade, chegando aos 40 anos, cheia de vida e de planos. Duas filhas pequenas (idades próximas às das minhas filhas). Uma pessoa batalhadora, que sempre espalhou boa energia, dessas pessoas que te cumprimentam com um abraço gostoso e um beijo estalado na bochecha....

Minha amiga tem câncer....

Será o mundo justo? Não é... ela tem duas filhas pra criar, pra acompanhar, pra dar amor, orientação, carão, pra dar colo quando tiverem o coração partido, pra vibrar com as vitórias e se emocionar com as conquistas....

Saindo do hospital, desabei em choro... fui pegar minhas meninas no colégio com a cara inchada e os olhos vermelhos. Dei um beijo mais demorado em cada uma, com medo que aquele momento me escapasse.....

Minha amiga tem câncer.... 

Amiga, rezo por você. Peço a Deus misericórdia por você e por suas meninas. Ele há de atender. Você é forte, batalhadora, positiva. Vai se cuidar e vai cuidar das suas meninas. A tempestade vai passar e vamos comemorar tudo! Fé e força, estou rezando por você.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Pérolas de Julia

Julia é uma figura engraçadíssima. Ela crê firmemente que tem poderes como super velocidade, congelamento de pessoas e essas coisas que se vê em filmes infantis. Além disso, ela tem plena convicção de que é uma ARTISTA.

Hoje, na tarefa de casa, veio o caderno de produção textual para ela fazer um texto falando sobre o ídolo dela.

Ela então vira pra mim e solta: "mãe, não é que eu sou uma artista?"

Eu confirmo, ela continua: "então, como é que eu posso fazer essa produção, se os artistas é que são os ídolos das pessoas?"

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Vocabulário

O que acho mais divertido nessa fase da Alice é o vocabulário. Ah, como me divirto com esse cisco de gente falando...

Adoro as palavrinhas ditas ao modo dela:

abelo - amarelo
caalo - cavalo
fubir - subir
Fofia - Sofia
cassôlo - cachorro
bapatinha - batatinha
bigo - umbigo
olhos - óculos
picoca - pipoca (eu falei assim até uns 7 anos)
aguir - abrir
bivo - livro
itola - escola
iteinha - estrelinha
lula - lua
passía - passear (ela usa a sílaba tônica no lugar errado e não fala o R do infinitivo)
babelo - cabelo
chuguica - canjica

e a que eu mais gosto.....
JAXULÉ - JACARÉ

Por sinal, pra deixar registrado também, uma das palavrinhas da Julia mais bonitinhas, que eu amava era chuniga (formiga).

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