quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"É mais fácil negociar com um terrorista!"

"É mais fácil negociar com um terrorista!" Claudio me falou dessa frase de um comediante americano sobre negociar com crianças de 2 - 3 anos e eu não poderia concordar mais.

Tem horas em que fico sem saber mais o que fazer, cansada física e mentalmente. E se perco a paciência me acabo de remorso....

Só pra ilustrar:

Alice, 2 anos e 5 meses. Faz algum tempo que não quer mais dormir após o almoço, embora esse soninho faça falta. 

Segunda-feira, entre outros compromissos, precisava fazer fotos 5x7 da Alice. Coloquei uma roupinha que ela gosta, laços nos cabelos e lá fomos nós pro shopping no fim da tarde. Ela chegou dormindo (como não dormiu depois do almoço, não resistiu ao balançado do carro), mas logo acordou com a movimentação e com minha narrativa de toda a decoração de Natal (ela ama e fica desejando Feliz Natal). 

Cheguei na loja de fotos e me pediram para tirar os laços do cabelo dela e os brincos, para as fotos ficarem no padrão exigido. Um escândalo (da Alice, obviamente). Saí da loja com ela, esperei que ela se acalmasse e voltei.

A moça observou que o cabelo dela talvez atrapalhasse e me pediu pra mudar o penteado. As ligas de silicone que prendiam o cabelo quebraram. Ela chorou (de novo!). Saímos outra vez da loja e o escândalo só aumentava. Procurei uma loja pra comprar novas ligas de cabelo (tive que passar R$1,00 no cartão, existe?) e fui refazer o penteado de forma que os cabelos não atrapalhassem. Novo escândalo.

Mais uma vez voltei à loja na tentativa de fazer as fotos. Uma outra pessoa nos atendeu e me aconselhou a mudar a roupa dela (o tal do padrão exigido). Saí da loja e fui em busca de uma blusa que atendesse a todos os padrões. Escolhi uma, peguei fila grande no caixa (com ela no colo) e na hora em que fui vestir ela não quis. Chorou, chorou... Vesti mesmo assim, por cima da que ela já estava usando. Esperei ela se acalmar, conversei, expliquei. Ela pediu chupeta, eu combinei que se ela batesse a foto, eu daria a chupeta.

Entrei mais uma vez na loja de fotos e perguntei a ela: "agora você vai deixar tirar a foto, né?" Recebi um belo "não" como resposta (quem mandou perguntar?).

Ao tentar sentá-la no banquinho pra fotos, ela se grudou em mim, como uma lagartixa na parede. Não largava por nada. O jeito foi eu sentar de lado, com ela no colo e fazer a foto assim..... Saiu ruim, o cabelinho dela saiu desarrumado, a carinha meio emburrada, mas quem vai pensar nisso a essa hora? O importante é que consegui fazer as fotos!

Não, não dava pra fazer em outro dia ou em outra hora. Tinha que ser naquele momento. Inclusive me atrasei e deixei alguns afazeres por conta dessa novela pra tirar essas fotos. Cheguei em casa muito mais tarde do que havia previsto. Exausta. Suada. Descabelada.

No dia seguinte, à tarde, outra novela: fomos à Polícia Federal. Escândalo pra entrar no carro. Se debateu tanto, que a fralda saiu do lugar. Mas como não percebi na hora, quando chegamos lá, tive a "grata supresa" de ver que ela estava toda molhada de xixi. Entrei no prédio quase chorando, peguei uma senha, conferiram os documentos e fui informada que o sistema estava fora do ar há mais de 2 horas e não tinha previsão de voltar. Comuniquei então que iria no shopping ao lado providenciar uma roupa limpa pra Alice. Ela foi a passos de tartaruga, se encantando com tudo na rua. Tive que fazer o maior teatro pra ela aceitar a roupa nova.

Quando voltamos, descobri que o sistema voltou assim que saí e que minha senha já havia sido chamada. Enquanto aguardava atendimento (a delegada, uma alma caridosa, entendeu o problema e me recolocou na fila), dei um pacotinho de biscoito a ela. Quando o atendimento acabou, enquanto eu me organizava guardando documentos e procurando logo a chave do carro na bolsa, o biscoito acabou. Por que, meu Deus????

O escândalo começou! De se jogar no chão (ó céus!). A vontade que eu tinha era de sair de perto, fazer de conta que não era comigo. A mão coçou pra uma palmadinha (imagina a cena: dou uma palmada e recebo voz de prisão!). Tentei contornar enquanto todas as pessoas do ambiente me olhavam. Beijinho no ombro pra quem lançou olhar de crítica. Quando ela se acalmou, não sei quem estava em pior estado: ela com o rosto marcado pelas lágrimas e pela secreção que escorria do nariz ou eu que estava suada, descabelada e com a roupa toda suja (porque as mãozinhas sujas de biscoito foram direto pra minha roupa).

Ultimamente, apesar de saber que essa fase passa, tenho a sensação que não vai passar nunca....

Bate a vontade de procurar onde é a fila pra negociar com terroristas. Juro que volto pra casa quando ela completar 4 anos!

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