quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O fim dos mitos da infância

Julia chegou ao mês de novembro de 2015 com 7 anos e meio e uma fé inabalável em Papai Noel. Acreditava piamente, até porque a avó (minha sogra) contou a ela que, quando criança, conseguiu ver a bota do Papai Noel quando ele ía saíndo da casa dela (sim, ela tem lembrança de ter visto mesmo, deve ter sonhado quando criança).

Até então íamos levando essa fantasia de infância. Entrávamos de cabeça, fazíamos mil malabarismos para ela não descobrir que o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente éramos nós. O Papai Noel trazia sempre o presente que ela pedia na cartinha (já cheguei a comprar o presente com ela na loja comigo, mas consegui esconder e ela nunca desconfiou), o Coelhinho da Páscoa escondia ovinhos de chocolate pela casa (e às vezes até deixava pegadas - ai, minhas costas!) e o Fada do Dente deixava dinheiro pra ela em troca dos dentes.

Mas, Claudio presenciou uma conversa dela com minha sobrinha de 9 anos, que faz tempo que não acredita em Papai Noel, e ficou preocupado. Julia teimava com a prima que Papai Noel existia e jurou provar! A preocupação dele é que ela sofresse bullying, porque de fato ela acreditava com toda fé e não questionava. Além dos primos saberem que Papai Noel não existe, ela vai mudar de escola e não sabemos como será essa questão com os novos amigos. Sem contar que na dança ela tem bastante contato com meninas um pouco mais velhas, correndo o risco de ser motivo de chacota. Com a idade dela, eu já sabia que Papai Noel não existia. Ainda fiquei com um pouco de pena de desfazer a fantasia, mas prefiro desfazer a deixá-la ser vítima de bullying.

Ele então me pediu pra conversar com ela a respeito (sempre sobra pra mãe, né?) e eu fiquei procurando a oportunidade certa, porque não é fácil derrubar um mito desses. Então, um dia, assistindo Chiquititas com ela, encontrei a maneira de abordar o assunto. Comecei falando que orfanatos na vida real não são como aquele das Chiquititas. Falei um pouco de como é a realidade de crianças órfãs e dei a deixa: "são crianças que não ganham presente de aniversário, de Natal..."

Ela então deu um pulo e disse: "ah, mãe, de Natal elas ganham sim, Papai Noel dá presente a todas as crianças do mundo."

Eu então comecei a fazê-la raciocinar perguntando como ela achava que Papai Noel conseguia fabricar presentes para todas as crianças do mundo. Ela na lata respondeu que Papai Noel tinha muitos duendes pra ajudar. Mesmo assim questionei a quantidade de presentes que eles tinham que fazer e ela me garantiu que os duendes eram capazes. Eu então disse: "mas filha, imagina pra distribuir tudo isso! Imagine quantas crianças tem no mundo! Você acha mesmo que Papai Noel sozinho consegue entregar todos esses presentes em uma noite?" 

Ela pensou, pensou.....  e disse que não sabia.... Eu disse: "filha, são muitas crianças no mundo, você acha que uma só pessoa conseguiria mesmo?" Ela então me perguntou quem deixava o presente pra ela e eu perguntei o que ela achava........... ela parou, abriu um sorriso e disse: "já sei! Você e o papai!"

Comecei a rir e disse que ela estava certa! Papai Noel é na verdade papai e mamãe. Ela então ficou um pouco triste pois não poderia mais ganhar presente de Papai Noel, mas garanti que ela vai continuar ganhando, afinal, Alice ainda tem 2 anos e merece viver toda essa fantasia. Pedi a ela que não contasse à irmã (e nem aos amigos que ainda acreditam). No Natal então, as duas ganharam presente de Papai Noel e ficaram bem felizes. 

Mas até aí, só tínhamos falado em Papai Noel. Coelhinho da Páscoa e Fada do Dente tinham ficado fora da jogada. Os dias se passaram e dia 01 de janeiro ela assistiu ao filme A Origem do Guardiões. Um tempo depois, chegou pra mim e disse: "mãe, eu estava pensando..... Coelhinho da Páscoa e Fada do Dente também não existem né? São vocês, né?" Eu comecei a rir e disse: "exatamente! Inclusive tenho os seus dentes guardados!"

Ela então disse: "ah, agora entendi porque a Fada do Dente trazia dinheiro pra mim e brinquedo pra Sabrina...."

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Amor pela boneca - a sensibilidade da Julia

Julia é uma criança muito amorosa e muito sensível. Desde pequena sempre foi muito carinhosa com todos que a cercam, todas as professoras dela sempre destacaram como características dela a meiguice e a doçura.

Aos 2 anos e meio de idade, no Natal, Julia ganhou de presente a Bianca, uma bonequinha bebê, no tamanho perfeito pra uma criança. Ela se apaixonou pela boneca e nunca mais largou. Bianca é a filha dela e pra Bianca faço festa de aniversário. Bianca passeia conosco.

Uma vez Julia levou a Bianca pro colégio no dia do brinquedo. Uma amiga riu da Bianca porque a Bianca é negra.... Quando fui pegar a Julia ela estava num pranto inconsolável porque a amiguinha dela riu da Bianca (triste ver esse preconceito nas crianças, na época tinham 5 anos). 

Bianca tem status de gente aqui em casa. E ai de quem a considera somente uma boneca! Acontece que a Alice ainda não entende essa relação e faz a Bianca de gato e sapato. Pega pelos pés, joga no chão.... Quando a Julia presencia é um Deus nos acuda.

Outro dia Alice jogou a Bianca no chão. Julia imediatamente começou a chorar, um choro sentido. Eu peguei a Bianca como quem pega um bebê e fui "examinar" perto da Julia e disse: "filha, não chora, a Bianca não se machucou".

Ela olhou pra mim, com lágrimas escorrendo dos olhos e disse: "Mãe, tudo que a Bianca sente, eu sinto. Se machucar a Bianca, me machuca."

Eu dei um abraço nela e disse que estava tudo bem. Não vou menosprezar o sentimento dela. Isso que ela expressa é empatia e é um dos sentimentos que nos torna humanos. E no aprendizado das relações sociais, a brincadeira tem um papel fundamental. A criança aprende fantasiando, aprende brincando. Sim, minha filha, o que a Bianca sente, você sente e isso é muito bonito!

Quanto à Bianca, ela é minha neta, com muito orgulho. E jamais sairá daqui de casa. Vou guardá-la pra sempre com muito amor e carinho. Ela representa os mais puros sentimentos da infância da Julia. 


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